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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1191

Com isso em mente, Naiara ajustou a voz, tornando-a deliberadamente mais branda e arrastada.

— Helena, eu sou o foco da sua fúria. Não adianta derramar sangue inocente. Enquanto eu respirar, a raiva dentro de você não vai desaparecer, e você não encontrará paz nem na morte.

— Também estou certa nisso, não estou?

Helena ficou em silêncio por longos segundos antes de ceder.

— Está certa. Se você não morrer, não terei sossego no túmulo.

— Sendo assim, me trocar pela Natália é a escolha mais lógica que você pode fazer agora.

O som dasfixiante da tosse de Helena retomou.

Naiara esperou com precisão cirúrgica.

Quitéria, que já havia encostado o carro na margem da rua, gesticulou apontando para o próprio celular, pedindo autorização silenciosa para chamar reforços.

Naiara ergueu a mão, sinalizando para que não fizesse movimento algum ainda.

Quitéria concordou com um aceno tenso.

Assim que a ligação foi cortada, ela disparou as perguntas reprimidas:

— Sra. Naiara, o que aquela louca disse?

Naiara olhou rapidamente para as coordenadas que acabavam de chegar no celular.

— Acelera.

—

O percurso durou cerca de meia hora.

Ao chegar, Naiara reconheceu o cenário fantasmagórico: um prédio inacabado da família Âncora, remanescente de um empreendimento fracassado.

Quitéria se recusou a deixá-la sair sozinha.

— Sra. Naiara, precisamos chamar a polícia. Ou pelo menos avisar o Patriarca Xavier. A senhora não pode entrar aí sem cobertura. É suicídio.

Naiara colocou a mão sobre o ombro de Quitéria, num gesto firme.

— Ligue para o meu sogro. Explique a situação e diga onde estamos. Eu vou entrar sozinha para tentar estabilizar o humor da Helena.

Se Helena entrasse em pânico pela demora, as coisas podiam fugir do controle. Neste exato momento, a figura em quem Naiara mais depositava sua fé estratégica não era a polícia, mas sim Henrique Xavier. Henrique saberia articular os movimentos sem assustar a presa.

Qualquer intervenção atabalhoada agora seria sentença de morte.

Naiara desceu do carro.

Helena estava encostada na borda, acariciando os cabelos da menina com os dedos.

Um toque falso, grotesco. O toque de uma serpente rastejando sobre a presa.

Mas Natália não abriu o berreiro nem suplicou por socorro. Quando seus olhos bateram na figura de Naiara, sua vozinha trêmula entregou apenas uma frase:

— Tia, me perdoe. Arrumei problemas para a senhora.

As palavras caíram feito pedras sob o peito de Naiara.

Aquela menina valente...

Helena riu. Uma risada fria que ecoava pelas vigas vazias.

— Tenho que admitir, você domou bem esse animalzinho. Quando a arrastei até aqui, berrava e chorava de terror. Mas do nada... parou. E teve a ousadia de me insultar.

Helena apertou o queixo da criança de forma bruta.

— Olha bem para ela. Já bati tanto que a boca ficou um lixo, e a maldita não implora por misericórdia. Continua me desafiando. O que mais eu devia fazer a não ser bater?

Uma fúria mortal inundou os olhos de Naiara.

— Helena Âncora, eu estou aqui. Solte a criança.

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