Naiara falou com um tom frio e contido.
— O Pedro me disse antes que você não estava muito bem aqui. Mas, pelo visto, você conseguiu se ajustar.
Luciana ajeitou o cabelo. Antes, ela ostentava longos fios escuros, sempre impecavelmente arrumados. Agora, tinha um corte curto, com vários fios brancos aparentes. Mas ela não parecia se importar com a vaidade.
— Neste lugar, onde não há liberdade, até as coisas mais difíceis de aceitar acabam fazendo sentido. — Ela sorriu amargamente. — O que tortura mais do que a prisão em si... é passar cada dia engolida pelo arrependimento. Me perdoe.
O sorriso de Luciana era frágil, quase imperceptível.
— Estou dizendo isso do fundo do meu coração. Sinto muito pelo que fiz a você e à sua mãe. Se eu pudesse, se tivesse a chance, eu gostaria de compensá-la. Queria retribuir, aos poucos, o amor e o cuidado que nunca te dei.
Naiara curvou levemente os lábios, a expressão ilegível.
— Não é necessário. Já tem alguém me compensando. Além disso, o Pedro já faz o suficiente.
Nos olhos de Luciana, brilhou um lampejo de afeição genuína que era raro de se ver.
— Aquele menino... ele está tão diferente agora. Está maduro, sensato. Eu devo isso a você. Foi porque você não guardou rancor que o Pedro pôde se tornar um homem tão bom. Sempre que ele vem me visitar, fala de você. Ele a admira e gosta muito de você. Não admite que eu diga uma única palavra torta ao seu respeito, ou briga comigo na mesma hora. — Ela soltou uma risada fraca. — Às vezes parece que eu criei um filho para outra pessoa, mas no fundo, sinto um alívio enorme.
Luciana abaixou a cabeça, o olhar sombrio.
— Pelo menos... ele não seguiu o caminho torto que eu segui.
Naiara estava, de fato, bastante satisfeita com a postura atual do meio-irmão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...