Após comprarem os mantimentos, eles retornaram para casa.
Zuleica foi direto para a cozinha, mantendo-se ocupada.
Afonso sentou-se no sofá para responder a algumas mensagens. O móvel era excessivamente baixo, e sua postura parecia tão desajeitada quanto desconfortável.
Naiara sentou-se bem ao lado dele.
— Meu marido.
Afonso parou o que estava fazendo, as mãos congeladas sobre o celular.
— Como você me chamou?
— Falei errado? — perguntou Naiara.
Com um único braço, ele a puxou para perto.
— Você não estava com raiva de mim?
Ela encostou a cabeça no ombro dele.
— Estava, sim.
— Então, suponho que você tenha algo para discutir comigo — concluiu Afonso.
Pelo canto do olho, Naiara observou a silhueta movendo-se na cozinha. Naquele espaço minúsculo e opressor, afogava-se uma mulher com educação de alto nível. Uma mulher que, agora, parecia não conseguir enxergar qualquer esperança ou brilho para o resto de sua vida.
***
A refeição não podia ser considerada farta. A mesa de jantar também era pequena.
Os quatro sentados ao redor dela ficavam consideravelmente espremidos.
Naiara notou o constrangimento no rosto de Zuleica. Afinal, ela era uma mulher que valorizava o próprio orgulho. Mas a dura realidade da vida a forçara a abaixar a cabeça.
Se ela não tivesse doado todos aqueles milhões, poderia estar vivendo uma vida de luxo e conforto, sem preocupações com roupas ou comida. No entanto, ela preferiu abrir mão do dinheiro ilícito para sustentar a si mesma através do próprio suor.
Sozinha, ela precisava se manter e ainda cuidar da irmã com deficiência. Para ser franca, mulheres capazes de alcançar tal nível de integridade eram raras.
Por isso, Zuleica era valiosa.
Durante o jantar, Naiara não mencionou o assunto que precisava discutir com Afonso. Dizer que era uma discussão seria exagero; na verdade, Afonso havia concordado no instante em que ela perguntou. O que ele poderia fazer? Na cabeça daquele homem, a esposa estava acima de tudo.
Após a refeição, Naiara foi até a cozinha procurar Zuleica. O espaço era tão apertado que quase esbarravam uma na outra ao tentar virar.
— Naiara... O que você está fazendo aqui? — disse Zuleica, surpresa. — Vá para a sala, rápido. Aqui está cheio de fumaça e cheiro de óleo, o ar não está bom.
Naiara deu um passo para trás, encostando-se no batente da porta para não atrapalhar o trabalho dela.
— Volte para Rio Belo.
Zuleica parou de lavar a louça por um momento, abrindo um sorriso amargo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...