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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 2

No passado, foi exatamente esse charme intelectual e autoritário que atraiu Naiara.

Pensando nisso agora, ela só podia concluir que havia sofrido um colapso mental na época.

Carlos deu uma longa tragada, exalando a fumaça lentamente, com um leve vinco de impaciência entre as sobrancelhas.

— Na época, foi a Adriana quem me implorou. E como os mais velhos não se opuseram e a honra da família estava em jogo, eu decidi seguir em frente.

— Não te contei antes porque sabia que você seria do contra e armaria um escândalo.

— Você precisa entender, Naiara. A morte do Nilton foi um golpe devastador para a Adriana. Ela já apresentava tendências depressivas, não podíamos submetê-la a mais nenhum estresse emocional.

— Tudo o que ela queria era um filho. Um pilar para tirá-la da escuridão. Para mim, foi apenas um pequeno favor.

Um pequeno favor?

Era a primeira vez que Naiara via alguém distorcer o conceito de 'pequeno favor' de maneira tão descarada.

Que maravilha!

Uma justificativa que soava tão nobre, tão racional.

Ela permaneceu em silêncio por um longo tempo.

Não era por falta do que dizer.

Era porque não valia a pena gastar saliva.

Ela temia que, se começasse a cuspir na cara dele todos os detalhes sórdidos que sabia, perderia a própria sanidade.

Carlos observou aquele rosto delicado, impecável, mas tingido por uma melancolia distante, e sentiu um desconforto inexplicável no peito.

Quando abriu a boca para falar de novo, o celular tocou.

Era Adriana.

Carlos atendeu imediatamente, a voz mudando da água para o vinho, assumindo um tom doce e protetor que causava náuseas.

— Sim, já cheguei em casa.

— Comi no caminho, não se preocupe.

— Vou tomar um banho e trocar de roupa antes de voltar para o hospital. Não posso deixar o pequeno bebê me ver todo desarrumado.

— Uhum, descanse bastante. Volto mais tarde.

Ao desligar, Carlos informou com casualidade:

— A vovó escolheu o nome. Vai se chamar César Lucca.

Naiara levantou-se.

— Então vá logo se arrumar. Sua cunhada e o seu filho estão te esperando.

O tom carregado de ironia fez o sangue de Carlos ferver.

Naiara estava casada há três anos, mas o seu ventre permanecia vazio.

Sua sogra, Karina, não perdia a chance de chamá-la de mulher incapaz de dar herdeiros pelas costas, sempre a fuzilando com olhares de desprezo nos eventos da alta sociedade.

Isso fez Naiara ir sorrateiramente a um hospital para fazer exames.

Para o seu alívio, ela era perfeitamente saudável. Não havia problema de infertilidade algum.

A verdade é que a falta de herdeiros era apenas uma desculpa conveniente.

O real motivo para o desprezo da família Lucca era o fato de que a família Jasmim, após ser enganada em dois contratos de risco, acumulava dívidas estratosféricas.

Eles haviam perdido o prestígio e caíam em ruína a cada dia.

— Amanhã vá ao hospital visitar a Adriana. — ordenou Carlos. — Não a deixe criar ideias erradas, achando que você a odeia e por isso não foi vê-la. Você sabe como ela é frágil e sensível.

Com essa ordem jogada no ar, ele saiu.

Naiara voltou ao seu quarto, abriu a gaveta e tirou uma fotografia.

Essa foto havia sido enviada anonimamente a ela há um mês.

Na imagem, em frente à suntuosa entrada de um hotel cinco estrelas de Rio Belo, um homem e uma mulher apareciam em atitudes extremamente íntimas.

Não eram outros senão Carlos e Adriana.

Aquela havia sido a verdadeira forma de doação...

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