— Quando se tem capacidade o suficiente, você pode ir tão longe quanto quiser. — disse Afonso.
Naiara hesitou por um breve momento.
Estar na companhia de um homem como ele era genuinamente leve.
Uma diferença brutal de quando estava com Carlos.
Aquele homem beirava o narcisismo patológico.
Não importava o quão bem ela fizesse as coisas, o que recebia em troca era apenas desprezo, repressão e um sarcasmo gélido.
O olhar de Afonso pousou sobre os olhos paralisados dela.
— Lembrou-se do passado?
Naiara voltou a si, visivelmente surpresa.
— Como você sempre consegue adivinhar o que estou pensando?
Ele deu um sorriso sutil.
— Talvez seja apenas coincidência.
Coincidência?
Uma vez era coincidência.
Mas todas as vezes?
Ainda seria coincidência?
— Lembrei-me de algumas coisas do passado. Sinto muito arrependimento.
— Arrependimento?
— Sim. Sinto que não deveria ter desperdiçado três anos da minha vida em vão.
— Não diria que foi um desperdício. O que amadurece uma pessoa nunca é a idade, mas sim as experiências.
Naiara deu um sorriso amargo.
— E o que faz uma pessoa cair em si nunca são os grandes conselhos, mas sim quebrar a cara.
O tom de Afonso era reconfortante.
— Todas as experiências servem para moldar quem você é. Portanto, não foi tempo perdido.
Apoiando o queixo em uma das mãos, Naiara curvou levemente os olhos.
— Afonso.
— Sim?
— Nós já nos conhecemos antes? Há muito tempo?
Afonso fez uma leve pausa.
— Por que essa pergunta de repente?
— Nada demais. Só me veio à cabeça.
— Creio que não.
O olhar de Naiara oscilou.
— Você já sabia que a Tempestade era eu desde o início, não é?
Afonso, que estava prestes a se levantar para servir água, paralisou por um instante ao ouvir a pergunta.
Em seguida, sorriu levemente.
— Você se escondia tão bem. Eu não sou tão poderoso assim.
Os dois ficaram subitamente sem reação.
O rumo daquela conversa...
A atmosfera havia ganhado uma tensão diferente.
Afonso tirou o copo quente do micro-ondas e o entregou a ela.
Naiara estendeu a mão para pegá-lo.
Mas, com a mente a mil por hora, suas mãos vacilaram.
Afonso, com reflexos rápidos, tentou segurar o copo.
Ele conseguiu agarrar o vidro, mas o leite recém-aquecido derramou sobre a mão dele, e algumas gotas respingaram em sua camisa cinza-clara.
A primeira reação de Naiara foi se preocupar com a mão dele.
Uma mão tão elegante não podia sofrer uma queimadura.
Sem pensar, ela segurou os dedos de Afonso, limpando rapidamente o líquido com um guardanapo, enquanto perguntava, aflita:
— Você está bem? Se queimou? Me desculpe, me desculpe, eu fui muito descuidada.
Afonso, por sua vez, só conseguia se preocupar com ela.
Ainda bem que o leite havia caído apenas nele.
Só então ele se tranquilizou.
De repente, ele sentiu a respiração quente dela roçando em seu rosto. No instante em que virou a cabeça, o ritmo de seus batimentos cardíacos descompassou.
Os lábios dos dois estavam perigosamente próximos.
Bastava que ele se inclinasse um milímetro para tocá-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...