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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 487

Mesmo depois de entrarem no apartamento, Naiara ainda não entendia por que havia pedido para ele ficar.

Tinha dito a si mesma que não queria encará-lo por um tempo. Teria sido por causa do machucado dele? Ou foi aquela expressão solitária em seu rosto que a impediu de ser cruel?

Os chinelos de visita que Afonso costumava usar já haviam sido calçados por Gualter. Naiara tirou um par novo da embalagem.

— Use estes, são novos.

Ela sabia que Afonso era obcecado por limpeza. Mas, sempre que estava com ela, ele nunca deixava isso transparecer.

Naiara tirou o casaco dele, pendurou no cabideiro e pegou a caixa de primeiros socorros no armário.

Afonso sentou-se no sofá. Naiara sentou-se ao lado dele.

Sem dizer uma palavra, ela apenas puxou a mão dele e começou a limpar o ferimento com concentração. Mesmo com a ardência, Afonso não franziu a testa uma única vez. Permaneceu em silêncio absoluto o tempo todo.

Naiara manteve a cabeça baixa o tempo todo. Não tinha coragem de erguê-la, pois sentia que Afonso não parava de olhar para ela.

Limpou, desinfetou, aplicou a pomada e enrolou a gaze, finalizando com um laço perfeito. Ficou limpo e bem-feito. Seus movimentos foram ágeis e precisos. Parecia uma enfermeira profissional.

— Você tem muita prática nisso. — Afonso não pôde deixar de elogiar.

Enquanto guardava os remédios na caixa, Naiara respondeu:

— Desde criança, sempre que eu caía, me machucava ou me cortava, eu mesma cuidava dos meus ferimentos. Aprendi cedo.

A mente de Afonso inevitavelmente vagou para as cicatrizes feias que ele havia visto nela dias atrás.

— Inclusive o machucado na sua cintura?

— No começo, foi o médico quem tratou. Depois, ele disse que eu precisava voltar a cada dois dias para trocar o curativo. Fiquei com preguiça de ir e passei a trocar sozinha.

A verdade era que, naquela época, ela ainda era muito nova. E Luciana não tinha a menor paciência para levá-la ao hospital. Então, ela simplesmente parou de ir.

Os dois ficaram em silêncio por um momento. Após ponderar muito, Naiara abriu a boca:

— Afonso, eu...

Ronc.

Um barulho alto veio da barriga de Afonso, que ficou visivelmente constrangido.

— Você está com fome?

— Um pouco.

Naiara franziu o cenho.

— Se está com fome, diga que está com fome. Não venha com "um pouco".

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