— E por que você quer ir para a Serra do Cão Feroz?
— Porque a Dolce está lá.
— Dolce?
Quem seria dessa vez?
Não podia ser outra irmã da menina, certo?
— É, era a cachorra que eu criava. Era uma menina, então eu a chamei de Dolce. Mas ela morreu. Um vizinho nosso a matou a pauladas. Ele disse que a minha Dolce assustou o filho dele.
— Por isso, quando eu morrer, quero ir para a Serra do Cão Feroz. A Dolce vai estar lá me esperando e a gente vai atravessar a serra juntas.
Ouvir aquilo partiu o coração de Naiara.
— A Dolce era a sua única amiga, não é?
— Sim, nós éramos amigas.
Quão solitária essa criança devia ser para considerar um cachorro como seu único amigo no mundo?
Naiara sorriu, tentando confortá-la.
— A Dolce já reencarnou. Ela já foi para uma família muito boa e está sendo mimada.
— É verdade?
— É verdade.
Natália não tirava os olhos de Naiara.
— Moça, eu ainda estou viva, não estou?
Naiara sorriu e assentiu.
— Você ainda está viva.
— Então, quem é você?
— Eu? — Naiara apoiou os cotovelos na beirada da cama, aproximando-se do rosto pálido da garota. — Eu sou a sua irmã mais velha.
— Minha irmã?
— Uhum.
— Mas tirando o meu pai, eu não tenho mais família.
— Claro que tem. Você tem a mim.
— Como é que eu nunca te vi antes?
— Porque eu estava morando em um lugar muito longe, acabei de voltar.
Natália não disse mais nada.
Naiara pensou que ela estava cansada e começou a organizar as compras.
— Irmã.
Naiara parou o que estava fazendo.
— Oi?
— Meu pai morreu mesmo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...