José dirigia enquanto lançava olhares furtivos pelo espelho retrovisor.
Afonso estava no banco de trás, com a cabeça levemente inclinada para trás, apoiada no encosto do banco. Desde que entrou no carro — e já fazia meia hora — ele não dissera uma única palavra.
José não aguentou o silêncio.
— Patrão, a Srta. Naiara provavelmente só falou aquilo da boca para fora, num momento de raiva. Por favor, não leve a sério.
Afonso abriu lentamente os olhos. Seus lábios finos se moveram com esforço.
— Ela não falou da boca para fora. Foi o que ela realmente sente.
José também pareceu surpreso.
— Desde que a conheci, foi a primeira vez que vi a Srta. Naiara perder o controle daquele jeito. Mas eu li que, nas grávidas, os níveis de HCG, progesterona e estrogênio flutuam como uma montanha-russa, e isso afeta diretamente o humor. É normal que fiquem ansiosas, irritadiças e sensíveis. Então, patrão, você precisa ter um pouco mais de paciência com ela.
Afonso olhou para o assistente, intrigado.
— Desde quando você entende dessas coisas?
— Ah, lembra daqueles livros sobre gravidez que você comprou? Fiquei entediado no outro dia e dei uma folheada.
— E vou te dizer, o processo de uma mulher, desde a gestação até o parto e a amamentação, é muito difícil. Quando a gente para para pensar, a figura da mãe é algo realmente formidável.
— Por isso, patrão, releve a situação, pela gravidez dela. Não fique chateado.
A voz do homem no banco de trás soou áspera, distante, como se estivesse abafada por uma espessa névoa de tristeza.
— Não estou chateado com ela. Só sinto que...
Ele soltou um suspiro pesado.
— Ela já deixou as coisas tão claras. Continuar insistindo do jeito que faço só parece causar-lhe um peso e uma pressão absurdos.
— Eu juro que eu...
Ele parou abruptamente.
Levou muito tempo até que a voz grave voltasse a soar no interior do veículo.
— José... acho que ela, de fato... não gosta de mim...
Cada palavra parecia ter sido arrancada com extrema dificuldade.
Ao ouvir o tom desolado do patrão, José sentiu um nó na garganta. Ele reduziu a velocidade e parou o carro no acostamento. Virou-se para trás e perguntou, com seriedade:
— Patrão, você pode ser sincero comigo? Você está realmente apaixonado pela Srta. Naiara, não está?
Afonso abaixou o vidro da janela.
O ar frio da noite invadiu o carro, dissipando parte do clima pesado que ali pairava.
— É amor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...