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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 569

José dirigia enquanto lançava olhares furtivos pelo espelho retrovisor.

Afonso estava no banco de trás, com a cabeça levemente inclinada para trás, apoiada no encosto do banco. Desde que entrou no carro — e já fazia meia hora — ele não dissera uma única palavra.

José não aguentou o silêncio.

— Patrão, a Srta. Naiara provavelmente só falou aquilo da boca para fora, num momento de raiva. Por favor, não leve a sério.

Afonso abriu lentamente os olhos. Seus lábios finos se moveram com esforço.

— Ela não falou da boca para fora. Foi o que ela realmente sente.

José também pareceu surpreso.

— Desde que a conheci, foi a primeira vez que vi a Srta. Naiara perder o controle daquele jeito. Mas eu li que, nas grávidas, os níveis de HCG, progesterona e estrogênio flutuam como uma montanha-russa, e isso afeta diretamente o humor. É normal que fiquem ansiosas, irritadiças e sensíveis. Então, patrão, você precisa ter um pouco mais de paciência com ela.

Afonso olhou para o assistente, intrigado.

— Desde quando você entende dessas coisas?

— Ah, lembra daqueles livros sobre gravidez que você comprou? Fiquei entediado no outro dia e dei uma folheada.

— E vou te dizer, o processo de uma mulher, desde a gestação até o parto e a amamentação, é muito difícil. Quando a gente para para pensar, a figura da mãe é algo realmente formidável.

— Por isso, patrão, releve a situação, pela gravidez dela. Não fique chateado.

A voz do homem no banco de trás soou áspera, distante, como se estivesse abafada por uma espessa névoa de tristeza.

— Não estou chateado com ela. Só sinto que...

Ele soltou um suspiro pesado.

— Ela já deixou as coisas tão claras. Continuar insistindo do jeito que faço só parece causar-lhe um peso e uma pressão absurdos.

— Eu juro que eu...

Ele parou abruptamente.

Levou muito tempo até que a voz grave voltasse a soar no interior do veículo.

— José... acho que ela, de fato... não gosta de mim...

Cada palavra parecia ter sido arrancada com extrema dificuldade.

Ao ouvir o tom desolado do patrão, José sentiu um nó na garganta. Ele reduziu a velocidade e parou o carro no acostamento. Virou-se para trás e perguntou, com seriedade:

— Patrão, você pode ser sincero comigo? Você está realmente apaixonado pela Srta. Naiara, não está?

Afonso abaixou o vidro da janela.

O ar frio da noite invadiu o carro, dissipando parte do clima pesado que ali pairava.

— É amor.

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