Quando José voltou para o carro, o silêncio no interior era absoluto, e uma atmosfera opressiva pairava no ar.
Ele não ousou perguntar muito. Nem podia.
Isso porque percebeu que os olhos de Naiara estavam vermelhos.
E a expressão do jovem mestre parecia mais triste do que nunca.
José suspirou silenciosamente, sentindo um aperto inexplicável no peito.
Durante todo o trajeto até Rio Belo, nenhum dos dois no banco de trás abriu a boca.
Mas eles continuavam aninhados um no outro.
Afonso manteve os braços ao redor dela na mesma posição, com um cuidado e uma relutância tão grandes que parecia que, se fizesse um movimento brusco, a mulher em seus braços desapareceria.
Naiara também permaneceu imóvel, encolhida no abraço dele. Ela sabia que, ao chegar em Rio Belo, nunca mais sentiria aquele abraço tão quente e cheio de segurança.
Em breve, os braços dele serviriam de abrigo para outra mulher.
Naiara fechou os olhos e fingiu que estava dormindo.
Não sabia mais o que dizer.
Tinha medo de que, se dissesse mais alguma coisa, começaria a chorar.
Só quando o carro saiu da rodovia é que José rompeu o silêncio:
— Jovem mestre, vamos deixar a Srta. Naiara em casa primeiro?
Afonso abriu os olhos, acariciando com os dedos a bochecha macia dela.
— Sim, leve-a para casa primeiro.
A mulher continuava imóvel em seus braços. Os cílios escuros projetavam uma sombra suave no rosto, tremendo levemente de vez em quando, como uma fada prestes a bater as asas.
Como se estivesse tendo um pesadelo, uma linha fina de preocupação se formou entre suas sobrancelhas.
No fim, ela não aguentou o cansaço e adormeceu de verdade...
Quando Naiara acordou, o carro já estava estacionado em frente ao prédio dela há um bom tempo.
A voz ainda estava um pouco rouca de sono e o corpo preguiçoso. Ela não teve pressa em se sentar; queria aproveitar um pouco mais daquele abraço que estava prestes a perder.
— Já chegamos?
A voz do homem continuava gentil e carinhosa:
— Sim, chegamos.
Naiara, parecendo uma gatinha manhosa, murmurou:
— Não quero subir.
— E para onde você quer ir?
— Não sei...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...