Pouco tempo após voltar ao escritório, o celular de Naiara vibrou com uma mensagem de Afonso.
[Eu beijei com muita força agora há pouco?]
Naiara apertou os lábios, segurando um sorriso.
[Sobrevivi.]
[Na próxima vez, serei mais gentil.]
[Não haverá próxima vez!]
De repente, Gualter entrou na sala sem bater.
Naiara sequer teve tempo de recompor a expressão. Irritada, sentiu vontade de esganá-lo.
— Não sabe bater na porta?
Gualter enfiou as mãos nos bolsos da calça e se jogou em uma cadeira.
— A porta estava aberta.
— Mesmo aberta, você tem que bater!
— Já entendi.
Gualter se levantou, caminhou até a porta e deu duas batidinhas cínicas na madeira.
— Vice-presidente, posso entrar?
Naiara não sabia se ria ou se chorava.
— O que você quer?
— Estava falando sobre trabalho com o King agora há pouco. Passei para dar uma olhada em você.
— O que tem para olhar? A gente se vê todo dia.
— Vim conferir se a sua boca já desinchou. Saber se precisa de alguma pomada, algo assim.
Naiara vasculhou a mesa por longos segundos, desesperada por encontrar algo pesado para atirar nele.
Gualter lhe estendeu uma pasta de documentos.
— Usa isso aqui.
Naiara não conseguiu segurar a risada.
— Volte para o trabalho agora mesmo!
O olhar de Gualter escureceu levemente.
— A noiva do King está prestes a chegar.
Naiara enrijeceu por um instante.
— Eu sei.
— Na verdade, eu vim aqui só para te dizer uma coisa. — disse Gualter, com a voz mais séria.
— Pode falar.
— Eu não me importo com o que os outros pensam de você. Para mim, o que importa é a sua felicidade. Mas se um dia as coisas não saírem como você espera, não chore. Porque, pelo menos, você teve o privilégio de viver isso.
Naiara forçou um sorriso de canto.
— E eu achando que você tinha vindo me dar uma bronca.
— Bronca? — Gualter recuperou seu habitual tom debochado. — Eu não me atrevo! Tenho medo do King.
Naiara soltou uma risada frouxa.
— Tem alguém no mundo de quem você sinta medo?
— Claro que sim. Tenho medo por todos que me importam. E, no momento, só me importo com você. Mas como você se importa com o King, acabo tendo que me importar com ele também.
Naiara sentiu um calor no peito, embora tentasse manter a pose de indiferença.
Duas batidas soaram na porta.
Quitéria entrou, abraçada a uma pilha de documentos.
— Sra. Naiara, estes são os papéis que precisam de assinatura.
Ao passar por Gualter, ela abaixou a cabeça, tímida.
Gualter a lembrou com um tom arrastado:
— Você me deve um mês de café da manhã.
Quitéria se apressou em responder:
— Eu sei, eu sei. Assim que voltarmos da viagem da empresa, vou comprar seu café da manhã por um mês inteiro.
— Fechado. Cumprir a palavra é uma bela qualidade.
— Eu... eu não sou o tipo de pessoa que volta atrás na palavra. Eu... não sou desonesta.
Naiara estranhou a cena. Por que aquela garota estava gaguejando tanto hoje?
— Você vai mesmo fazer a coitada comprar sua comida? — questionou Naiara.
Os pais de Quitéria sempre a trataram como um caixa eletrônico. Nos primeiros anos de carreira, tudo o que ela ganhava ia direto para a família. Foi só quando entrou na Nuvem Pioneira e Afonso interveio que ela finalmente conseguiu um pouco de paz. O salário atual era suficiente para viver bem, mas ela continuava extremamente econômica. Não era de gastar à toa; era uma boa garota, feita para formar uma família.
Gualter, no entanto, não demonstrava um pingo de cavalheirismo.
— Aposta é aposta. Foi ela quem quis apostar comigo.
Naiara revirou os olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...