Naiara apoiou-se nos braços e encarou aqueles olhos ligeiramente enevoados.
— Afinal, você está bêbado ou não? — perguntou ela, já sem paciência.
Ele não respondeu, apenas deslizou os dedos pelo rosto dela, num carinho repetitivo.
Naiara afastou a mão dele com um tapa leve, um tanto irritada.
— Está fingindo?
Com a voz rouca, ele apenas perguntou:
— É você?
Naiara hesitou por um segundo.
— Afonso?
O homem continuou murmurando:
— Naiara, é você mesma?
O coração de Naiara deu um aperto repentino, e sua voz soou involuntariamente mais suave.
— Sou eu, sim.
Ele murmurou como uma criança indefesa:
— Minha cabeça dói.
Naiara começou a massagear as têmporas dele.
— Você bebeu demais, por isso está com dor de cabeça.
— E também... — a voz dele carregava a aspereza do álcool — pensei em muitas coisas, por isso dói.
— Então pare de pensar e durma um pouco.
Ele se esforçou para abrir os olhos.
— É tão bom estar bêbado.
Naiara sentiu um aperto no peito.
— Não é nada bom!
— É bom, sim. — Ele ergueu o canto dos lábios num sorriso ingênuo. — Só estando bêbado eu tenho coragem de olhar para você assim, sem reservas.
O coração de Naiara falhou uma batida. Sem coragem de dar corda ao assunto, ela tentou apenas acalmá-lo.
— Fique quieto, feche os olhos e durma.
Afonso, teimoso, recusou-se a fechar os olhos.
Naiara fingiu estar zangada.
— Se continuar assim, vou te ignorar e ir embora.
A voz do homem carregou um traço de desolação.
— Eu sei que você vai embora, por isso não posso fechar os olhos. Quero olhar para você mais um pouco.
Tentando ignorar a pontada de dor no peito, Naiara o persuadiu com doçura:
— E se eu não for embora? Você promete que vai ser bonzinho e dormir?
— Hum... — Ele apertou a mão dela com força. — Eu sempre escuto o que você diz.
O celular de Afonso tocou novamente.
Naiara tentou alcançar o aparelho no bolso dele, mas o homem simplesmente não largava sua mão.
Sem alternativa, ela desistiu.
Logo em seguida, o som de vômito ecoou lá de dentro.
Por fim, o barulho da descarga anunciou o silêncio.
Naiara esperou por um bom tempo, mas, como não ouviu mais nada, começou a se preocupar.
Com medo de ver o que não devia, ela caminhou até a porta do banheiro, mantendo o rosto virado.
— Afonso, você está melhor?
A resposta que recebeu foi um abraço firme, por trás.
Naiara não ousou se mexer, aterrorizada com a ideia de esbarrar onde não devia.
A voz dele, rouca e sedutora, sussurrou em seu ouvido:
— O que você viu agora há pouco?
As orelhas de Naiara estavam pelando.
— Eu... eu não vi nada.
— Mentira.
Naiara desejou ardentemente colocar uma tarja na imagem que insistia em piscar em sua mente.
Preferia morrer a admitir que tinha visto aquilo.
Afonso, com firmeza, a fez virar de frente para ele.
Naiara fechou os olhos instantaneamente.
No entanto...
O toque quente em seus lábios fez com que ela arregalasse os olhos no mesmo instante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...