Naiara franziu a testa.
— Padrinho, esse Dr. Ricardo é o Ricardo Meirelles?
— Você o conhece?
Ela deu um riso frio internamente. Não era exatamente íntima dele, mas já tinha entendido o tipo de verme que ele era. Um homem que fingia magnanimidade, mas guardava rancor até os ossos. Um verdadeiro falso moralista.
— Naiara, deixe comigo. Vou dar um jeito de consertar isso, não se preocupe — disse Leonardo.
— Não, padrinho! — Naiara o interrompeu na hora. — Não se envolva nisso. Deixe que eu resolvo.
Seu padrinho havia assumido o cargo recentemente, e ela não podia deixar que a sua reputação fosse manchada por causa dos negócios dela.
Gualter bateu os nós dos dedos na mesa.
— Tá no mundo da lua? O que foi?
— Foi obra do Ricardo Meirelles.
— Ricardo Meirelles?
— Lembra aquele homem do encontro arranjado que a Luciana me forçou a ir?
— Puta merda! — Gualter, que raramente se irritava, explodiu. — Aquele velho decrépito que tem idade para ser teu pai?! O velho tentou dar o bote e, como não conseguiu, agora quer se vingar sabotando nosso trabalho?!
— Quer que eu meta um saco na cabeça dele e dê uma surra na rua?
Os belos olhos de Naiara brilharam com diversão.
— Adoraria. Se puder deixá-lo paraplégico, melhor ainda.
— Fechado. Faço isso hoje mesmo.
Ela riu, relaxando.
— Você acha que eu estou brincando?
— Se desse pra resolver na porrada, a vida seria mais fácil — resmungou Gualter. — O que vamos fazer agora? Ir atrás do chefe da montadora de novo?
Um sorriso sutil surgiu nos lábios de Naiara, metade despreocupado, metade gélido.
— Uma empresa que não tem palavra não merece fazer negócios com a Nuvem Pioneira. Vamos simplesmente procurar um parceiro melhor.
Sede da Integra Logística. No escritório da presidência, no último andar.
O assistente José terminava de passar o relatório e, então, mudou de assunto.
— Senhor Afonso, parece que a Sra. Naiara encontrou um obstáculo.
O homem que passara o tempo todo focado nos papéis financeiros finalmente ergueu a cabeça. Seus olhos escuros e inescrutáveis mostraram um leve traço de emoção.
— O Ricardo Meirelles mexeu os pauzinhos e fez o parceiro cancelar o projeto com ela — continuou José.
— O senhor a está abandonando completamente à própria sorte.
Os olhos do homem vacilaram. Os números no relatório de repente pareciam impossíveis de decifrar.
— Ela não precisa que eu tome conta dela ou da sua sorte. Se eu interferir demais, serei apenas um fardo.
— Mas ela está grávida! O senhor não tem medo que a pressão seja demais e a deixe exausta? — murmurou José. — Antes o senhor não era assim. Antigamente, se a deusa da computação espirrasse, o senhor entrava em desespero.
O longo silêncio que se seguiu fez José fechar a boca.
— Senhor Afonso, vou voltar ao trabalho.
— José.
O assistente parou.
— Sim, senhor?
O homem ergueu o olhar. O vinco em sua testa se aprofundou e um véu de névoa pareceu cobrir seus olhos.
— Daqui para frente...
José esperou um bom tempo.
— Daqui para frente o que, senhor?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...