Em seguida, o grupo começou a desfrutar do banquete em um clima barulhento e animado.
Apenas Naiara parecia não ter apetite para aquelas iguarias.
Isadora, percebendo isso, suspirou em silêncio.
Ela serviu um pedaço de costela com ameixas no prato de Naiara e sussurrou em seu ouvido:
— Já que está aqui, divirta-se. Coma e beba. Se privar só vai dar o gosto da vitória para aqueles desgraçados que te machucaram.
— Você não disse da última vez que queria que eu te pagasse um jantar no Pavilhão Imperial? Olha aí a chance. O Fábio está pagando, vamos comer à vontade.
Naiara relaxou e abriu um sorriso. — Você tem razão.
Fábio aproximou-se com uma taça de vinho na mão. — Vocês duas, parem de fofocar! Vamos beber! Este é um vinho de safra especial que guardo aqui. Não abro para qualquer um.
Ele já ia encher a taça de Naiara.
Naiara tentou recusar, mas Isadora foi mais rápida.
— A Naiara parou de beber. Eu tomo essa taça em homenagem a você.
Fábio não aceitou a desculpa. — Da última vez, deixei você beber por ela porque odeio ver os outros forçando a barra. Mas hoje é meu aniversário, é só uma taça. E um vinho tão bom, eu queria que ela provasse.
Naiara, não querendo revelar a gravidez, inventou uma mentira rápida.
— Estou naqueles dias.
Fábio ergueu uma sobrancelha. — Esse seu negócio escolhe data? Não podia vir antes nem depois, tinha que ser justo no meu aniversário?
— E quem mandou você fazer aniversário justo quando eu estou naqueles dias? — retrucou Naiara, implacável.
Fábio ficou sem palavras, mas logo soltou uma risada franca.
— Você não mudou nada. Continua com a língua afiada de sempre.
Ele virou o vinho de uma vez e suspirou.
— Mas, ao mesmo tempo, parece que está diferente.
— Eu ainda sou eu. — respondeu Naiara, fria.
— Não, não, não. — Fábio balançou o dedo indicador e virou-se para Afonso, que observava em silêncio.
— Você sabe como ela era no passado?
Os olhos frios de Afonso ganharam um brilho sutil de interesse e gentileza.
— Não sei.
— Então eu te conto. — Fábio colocou o braço sobre os ombros de Afonso, ficando animado. — Quando eu a conheci, ela era só uma garotinha. Vivia de rabo de cavalo e usava roupas simples.
— Mas, cara! Como ela era linda!
Fábio perdeu-se nas lembranças.
— Não era uma beleza vulgar. Era algo que dava gosto de olhar, fresco e limpo. E tinha tanta classe que os pretendentes faziam fila na Universidade de Rio Belo.
— O problema é que ela era fria demais, muito direta. Quando dava um fora, não tinha piedade!
Fábio cerrou os dentes. — Eu, o grande Sr. Fábio, o cara mais popular do campus. Mas, para ela, eu valia menos que erva daninha.
Afonso deu um sorriso elegante e sutil. — Ela não te via como erva daninha, você que era confiante demais. Acho que ela fez muito bem em te recusar. A fama de mulherengo do Sr. Fábio sempre foi de conhecimento público. Não se pode forçar uma flor rara a nascer no esterco.
Naiara abaixou a cabeça, segurando o riso.
Não imaginava que Afonso também soubesse ser irônico.
Isadora bateu palmas. — Sr. Afonso! Falou e disse! Ele é um monte de esterco!
Fábio não se irritou, apenas riu. — Só vocês mesmos para me zoarem assim.
Depois, Fábio cochichou algo no ouvido de Afonso. Ninguém ouviu o que foi, mas os olhos de Afonso se encheram de um sorriso leve.
Isadora puxou Naiara para sussurrar:
— Não vai mesmo contar a ele sobre quem é o pai da criança?
Naiara balançou a cabeça como resposta.
— Que pena. Ele tem noiva, mas, se não tivesse, depois que você se divorciar, vocês fariam um casal e tanto.
— Não tenho mais a menor intenção de me envolver nisso. — respondeu Naiara, com indiferença.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...