— Nós não podemos ir.
O pânico inicial de Afonso começou a ceder lugar a uma lucidez fria.
— Por que não? — indagou José, confuso.
Afonso olhou para o nada, os olhos escuros como o fundo do mar.
— Se formos, cairemos na armadilha do Fausto.
José não o pressionou, apenas começou a juntar as peças mentalmente.
— Espera... se a Srta. Naiara passou mal, o lógico seria o Gualter te avisar. Mas não foi ele, foi um funcionário do Fausto.
Ele arregalou os olhos.
— Você acha que Fausto vazou essa informação de propósito para testar a sua reação?!
Um arrepio subiu pela espinha de José.
— Chefe! Será que ele descobriu que o bebê que a Srta. Naiara está esperando é...
Ele não ousou terminar a frase. As paredes podiam ter ouvidos.
— Não — garantiu Afonso, categórico.
Ele havia silenciado pessoalmente qualquer um no hospital que soubesse do segredo. Se Carlos Lucca revirou tudo e não encontrou um único rastro, Fausto teria ainda menos chances de descobrir a verdade.
— Se ele soubesse que a criança é minha, já teria agido.
Ele apertou os lábios, analisando o adversário.
— Ele provavelmente não suspeita da paternidade, mas sim de que há algum envolvimento amoroso entre mim e a Naiara. Ele está usando essa emergência para me testar.
Se Afonso corresse até o hospital do interior, estaria assinando a própria confissão.
Ficar parado era a única jogada inteligente.
José trincou os dentes.
— Esse Fausto... puxou a mesma natureza do pai, Ricardo Âncora. Puro cálculo. Dizem que ele é um maníaco protetor da irmã, e pelo visto é verdade.
*Protetor da irmã...*
Afonso soltou uma risada gélida, carregada de ironia.
José ainda estava aflito.
— Mas e a Srta. Naiara? Ela não tem ninguém de confiança com ela, deve estar apavorada.
— Não entre em pânico — Afonso disse, tanto para o assistente quanto para acalmar seu próprio coração. — Gualter está lá. Ele não vai deixar nada de ruim acontecer.
— É que eu sou o tio do bebê! — Gualter estufou o peito. Então, abaixou o tom de voz e sussurrou: — Doutora, vem cá... é menino ou menina?
A médica o ignorou solenemente e voltou-se para Naiara:
— Está tudo bem, não precisa se assustar. Mas nada de esforço físico hoje. Vá descansar.
Naiara soltou o ar que prendia.
— Muito obrigada, doutora.
Graças a Deus não era um parto prematuro. Ela quase havia morrido de medo.
Quando saíram, Gualter continuava resmungando.
— Custava ela me dizer se é sobrinho ou sobrinha? Que médica pão-dura.
Naiara riu da indignação dele.
— É regra do hospital, eles não podem dizer. Pra que essa pressa toda? Daqui a dois meses a gente descobre.
— Claro que eu tenho pressa! É a minha primeira vez sendo tio, a ansiedade me corrói!
Naiara se apoiou no braço de Gualter para caminhar. Foi quando viu Fausto se aproximando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...