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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 819

— Nós não podemos ir.

O pânico inicial de Afonso começou a ceder lugar a uma lucidez fria.

— Por que não? — indagou José, confuso.

Afonso olhou para o nada, os olhos escuros como o fundo do mar.

— Se formos, cairemos na armadilha do Fausto.

José não o pressionou, apenas começou a juntar as peças mentalmente.

— Espera... se a Srta. Naiara passou mal, o lógico seria o Gualter te avisar. Mas não foi ele, foi um funcionário do Fausto.

Ele arregalou os olhos.

— Você acha que Fausto vazou essa informação de propósito para testar a sua reação?!

Um arrepio subiu pela espinha de José.

— Chefe! Será que ele descobriu que o bebê que a Srta. Naiara está esperando é...

Ele não ousou terminar a frase. As paredes podiam ter ouvidos.

— Não — garantiu Afonso, categórico.

Ele havia silenciado pessoalmente qualquer um no hospital que soubesse do segredo. Se Carlos Lucca revirou tudo e não encontrou um único rastro, Fausto teria ainda menos chances de descobrir a verdade.

— Se ele soubesse que a criança é minha, já teria agido.

Ele apertou os lábios, analisando o adversário.

— Ele provavelmente não suspeita da paternidade, mas sim de que há algum envolvimento amoroso entre mim e a Naiara. Ele está usando essa emergência para me testar.

Se Afonso corresse até o hospital do interior, estaria assinando a própria confissão.

Ficar parado era a única jogada inteligente.

José trincou os dentes.

— Esse Fausto... puxou a mesma natureza do pai, Ricardo Âncora. Puro cálculo. Dizem que ele é um maníaco protetor da irmã, e pelo visto é verdade.

*Protetor da irmã...*

Afonso soltou uma risada gélida, carregada de ironia.

José ainda estava aflito.

— Mas e a Srta. Naiara? Ela não tem ninguém de confiança com ela, deve estar apavorada.

— Não entre em pânico — Afonso disse, tanto para o assistente quanto para acalmar seu próprio coração. — Gualter está lá. Ele não vai deixar nada de ruim acontecer.

— É que eu sou o tio do bebê! — Gualter estufou o peito. Então, abaixou o tom de voz e sussurrou: — Doutora, vem cá... é menino ou menina?

A médica o ignorou solenemente e voltou-se para Naiara:

— Está tudo bem, não precisa se assustar. Mas nada de esforço físico hoje. Vá descansar.

Naiara soltou o ar que prendia.

— Muito obrigada, doutora.

Graças a Deus não era um parto prematuro. Ela quase havia morrido de medo.

Quando saíram, Gualter continuava resmungando.

— Custava ela me dizer se é sobrinho ou sobrinha? Que médica pão-dura.

Naiara riu da indignação dele.

— É regra do hospital, eles não podem dizer. Pra que essa pressa toda? Daqui a dois meses a gente descobre.

— Claro que eu tenho pressa! É a minha primeira vez sendo tio, a ansiedade me corrói!

Naiara se apoiou no braço de Gualter para caminhar. Foi quando viu Fausto se aproximando.

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