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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 82

— ... — Naiara ficou sem palavras.

Tudo bem.

Parecia que, nesse quesito, faltava-lhe experiência.

Afonso, com toda a sua elegância e cavalheirismo, acomodou Isadora no carro.

Durante todo o processo, Naiara permaneceu apenas observando.

No caminho, Isadora dormiu profundamente.

Fábio, por outro lado, não parava de resmungar.

Eram palavras soltas, desconexas; ninguém conseguia decifrar o que ele tentava dizer.

Até que...

— Naiara! — gritou Fábio. — Você não tem coragem de pedir o divórcio! Deixa esse cara e deixa o papai aqui tentar de novo! Eu duvido que eu não consiga te conquistar!

Embora não levasse a sério os delírios de um bêbado, Naiara sentiu uma vontade imensa de tapar a boca dele.

— Naiara! Naiara! Sua...

Afonso soltou uma risada discreta. — Quer que eu encoste o carro e amordace o rapaz?

Naiara suspirou, resignada. — Deixa para lá. Ele bebeu demais e está falando bobagens.

— O álcool costuma revelar a verdade — pontuou Afonso.

Naiara manteve a lucidez. — Ele só não aceita a derrota.

Um homem que passava os dias sendo bajulado por mulheres, que teve sua primeira proposta de casamento publicamente rejeitada e virou motivo de piada na alta sociedade.

Seria estranho se ele aceitasse isso pacificamente.

Depois de deixarem Fábio em casa, seguiram para o apartamento de Isadora.

Assim que Isadora caiu na cama macia, começou a desabotoar a própria roupa.

Antes que Naiara pudesse intervir, a blusa de Isadora já estava escancarada.

Foi a primeira vez que Naiara viu a expressão de Afonso perder a compostura.

Ele virou-se bruscamente, parecendo querer sair correndo dali.

Naiara apressou-se em dizer: — Por favor, espere um momento na sala. Vou colocar o pijama nela.

— Hum — respondeu Afonso, ainda de costas.

Logo a porta do quarto foi fechada.

Naiara beliscou a bochecha de Isadora.

— Eu pagaria para ver a sua cara quando acordar e descobrir o papelão que fez.

Ao se virar para sair, o olhar de Naiara paralisou.

Havia uma caixa de papelão em cima da escrivaninha.

Dentro da caixa, materiais de escritório.

Naiara olhou de soslaio para a amiga que dormia pesadamente e, em seguida, saiu do quarto.

De volta ao carro, ela sentiu a necessidade de resgatar a imagem polida da amiga.

— A Isadora não é assim normalmente. Hoje ela realmente exagerou no vinho.

Afonso já havia recuperado sua aura aristocrática.

— Moças devem conhecer seus limites com a bebida. É melhor manter a sobriedade; cruzar com pessoas mal-intencionadas seria lamentável.

Naiara não resistiu e soltou uma gargalhada.

No dia seguinte, quando Isadora estivesse sã, ela faria questão de repetir aquelas exatas palavras do Professor Afonso.

— Acha que soei muito antiquado? — perguntou ele.

— Claro que não. É que o jeito que você falou agora me lembrou muito o meu pai.

Afonso ficou em silêncio por alguns segundos.

Naiara logo se arrependeu. — Não, não! Eu não quis dizer que você é velho, eu...

Que idiotice.

Como ela pôde soltar uma frase com tanta margem para interpretação?

O celular apoiado no suporte do painel começou a tocar.

Naiara calou-se imediatamente.

No identificador de chamadas: Isabella.

Devia ser a noiva mencionada no perfil de Afonso.

Uma famosa estrela e a herdeira do Grupo Âncora.

Nascida em berço de ouro, formada com louvor em uma universidade de prestígio, poliglota, e figura carimbada em eventos de caridade. Tinha uma influência formidável em Porto das Estrelas.

Pelas fotos, sua beleza e elegância eram inquestionáveis.

A verdadeira definição de um casal perfeito, feitos um para o outro.

Naiara imaginava se Afonso atenderia a ligação na sua presença.

E ele, com total naturalidade, apertou o botão de atender.

A conversa dos dois inundou o interior do carro sem cerimônias.

— Afonso, está ocupado? — perguntou Isabella.

— Me preparando para dirigir. Aconteceu algo?

— Senti sua falta. Por isso liguei.

Uma franqueza sem nenhum pudor.

Naiara sentiu-se desconfortável.

Ficar escutando a intimidade amorosa de um casal não parecia muito correto...

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