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Enamorar-se pelo oposto de mim romance Capítulo 6

Alexia

O dia passou voando e eu nem percebi. Resolvi bastante coisas pendentes que meu pai tinha deixado para quando voltasse de viagem. Agora ele não iria precisar se preocupar tanto quando chegasse, só iria precisar se preocupar com a parte financeira da empresa. Não entendia muita coisa sobre finanças, mas pelo o que eu podia perceber, tinha um pequeno desfalque no departamento de produção. Parecia que tinha notas superfaturadas, tinha gente ganhando em cima da compra de matéria prima. Bom, isso podíamos resolver quando ele voltasse, só esperava que ele me deixasse trabalhar ao seu lado.

Na hora do café, eu fui para o refeitório dos diretores, percebi que passou o dia inteiro, o Antony e o Robson nem deram as caras na empresa, só sei que meu pai iria ficar sabendo disso. Ao contrário do Conrado, que de tempos, em tempos, aparecia na sala da presidência. Falando no diabo...

— Olá, minha linda presidenta! Soube pela Sara que você fez um ótimo trabalho hoje. — Modéstia parte, é verdade.

— Não fiz mais que minha obrigação. — Falsa modéstia.

— Que nada, você é incrível! Sempre acreditei no seu potencial. — Acredito! — Que tal hoje passarmos a noite juntos? — Oh, não! Não queria me aliviar no meu golfinho solitário.

— Não vai rolar!

— Por que, gata? — perguntou franzindo a testa.

— Preciso falar com meu pai sobre o meu trabalho de hoje. Ele precisa saber que eu posso ajudá-lo na empresa.

— E quanto ao meu pedido? — Pensa rápido, Alexia, o que eu digo?

— Olha, Conrado, não me leve a mal, primeiro eu queria mostrar para meu pai que posso ser útil, quando ele estiver convencido de que posso trabalhar para ele, aí a gente conversar sobre o nosso relacionamento.

Que nada! Estava ganhando tempo para arrumar uma desculpa para terminar com ele. Em meus planos, não havia espaço para compromisso sério com outro homem, muito menos, um compromisso com o Conrado.

— Acho que você está arrumando uma desculpa para terminar comigo. — Ele era esperto, entendeu tudo direitinho.

— Não! Não é isso, você sabe que eu venho há muito tempo, insistindo para meu pai deixar eu trabalhar com ele.

— Tudo bem, por você, eu espero o tempo que for preciso. — Coitado, vai ficar cansando de tanto esperar.

Ele tentou me beijar, mas eu virei o meu rosto.

— Aqui não, já te falei, estamos no local de trabalho.

— Tudo bem, então, até depois.

— Até!

Eu me virei para sair do refeitório e esbarrei em alguém, derrubando o meu café na minha roupa cara.

— Ah, me desculpe! Não foi por querer.

Olhei para a garota e vi vestida com um uniforme preto da faxina! Ela era bem jovem e fisicamente bonita, cabelos e olhos castanhos, baixinha, devia ter no máximo, um metro e sessenta de altura e na faixa dos dezoitos e vinte e um anos de idade. Como podia, ela tão pequena não ter me visto, sendo que sou, praticamente, vinte centímetros mais alta do que ela?

— Sua incompetente! Não olha para onde anda? — A garota parecia entrar em pânico.

— Desculpa, senhora! Foi um acidente — disse a garota.

— Acidente, é você perder controle do carro quando está dirigindo, isso foi total desatenção.

— Eu sinto muito!

— Você tem sorte por eu não administrar a empresa, porque você já estaria no olho da rua.

Saí em disparada para a minha sala, odiava gente incompetente, meu pai ficará sabendo desse episódio, com certeza.

— Geralmente, você fica mais calma quando toma um café, mas parece que dessa vez, o café fez efeito contrário — disse minha irmã, se divertindo com o meu aborrecimento, assim que entrei no meu escritório.

— Uma desastrada derrubou meu próprio café em mim, não deu para aproveitar um gole sequer — falei revoltada, tentando amenizar o estrago na minha roupa, com um lenço de papel que peguei na minha mesa.

— Ai, céus! Já vi que a garota entrou para sua listra negra.

— Você não sabe como. Só preciso convencer o papai deixar eu trabalhar com ele.

— Deixar a “nós” trabalhar com ele?!

— Isso! E por falar nisso, ele está demorando muito.

— Você não falou que ele ia chegar à noite? Se ele não chegar, ele deve ter levado alguma vadia para um motel.

— Coitada da mulher! — Nós duas rimos. — Eu só não queria esperar tanto para falar com ele.

— Só não se empolga tanto, talvez ele não goste de saber que ficamos no lugar dele na empresa.

— Eu já pensei nessa possibilidade e vou dizer que não tive escolha, porque o Antony não apareceu hoje.

Torci para que ele não aparecesse o dia inteiro e adivinha, ele não apareceu.

— Onde será que ele estava o dia todo?

— Isso não é da nossa conta, mas vai ser da conta dele, quando papai ficar sabendo.

— Ah, fala sério, vai! O nome é fofo e ele vibra em doze velocidade, não tem como competir com isso.

— Isso, porque o Conrado nunca te fez gozar gostoso, se ele fizesse isso, você não pensava duas vezes em casar com ele. — Balancei a cabeça rindo das doideiras da minha irmã.

Já tive orgasmos com Conrado e com outros caras que já saí, mas nunca foi algo que quisesse repetir a dose. Com o Conrado, com o tempo, acabou ficando sem graça, sem emoção, era tudo a mesma coisa. Tinha vezes que eu queria que ele gozasse logo, só para acabar com aquilo, por fim, acabava evitando de transar com ele.

Por volta das sete da noite, a secretária do meu pai bateu na porta, eu ainda estava com minha irmã no escritório. Depois de ter a minha permissão para entrar, vi que ela não estava sozinha, tinha dois policias com ela e o Robson estava junto. Será que meu pai foi preso? Agora seria a oportunidade para ele saber que podia contar comigo.

— O que está acontecendo? Posso ajudar? — perguntei já imaginando do que se tratava.

— Eu sinto muito ser informada desse jeito, mas seu pai, Roberto Bitencourt, faleceu agora pouco — disse o policial, eu paralisei imediatamente, não entendendo o que estava acontecendo.

Minha irmã, que se levantou ao mesmo tempo, para recepcionar os policiais, desabou na poltrona que estava sentada, desacreditando no que acabou de ouvir. Nesse momento, um relâmpago atravessou o céu, tive a sensação de que um mal presságio estava por vir.

— Como assim morreu? — perguntou Patrícia.

Que pergunta idiota era essa? Morreu, morrendo, ora! Lá se foram as minhas chances de esfregar na cara dele, que eu não era aquela incompetente que ele pensava. Automaticamente, coloquei uma de minhas mãos no meu pingente por cima da minha blusa, sentindo o objeto um pouco abaixo dos meus seios. Pelo menos, agora vou poder pôr meus planos em prática, assim que a empresa for passada para o meu nome.

— O carro que ele estava com o senhor Francisco Nogueira Ferraz, saiu da pista e caiu na serra quando estava voltando para a cidade — disse o policial.

— Espera aí, meu tio morreu? — Tinha me esquecido que o Francisco era tio da Patrícia, irmão de Alessandra.

— Sim, ele é seu parente?

Que pergunta idiota, não foi o que ela acabou de dizer?

— Ele é meu tio, minha mãe precisa saber.

— Bom, eu também vim informar que o testamento do seu pai, vai ser lido amanhã após o enterro. — disse Robson, nosso advogado.

— Tudo bem!

— Bom, meu trabalho já foi feito, meus pêsames senhoritas — disse o policial.

Os policiais acenaram com a cabeça e se retiraram junto com o Robson e a Sara me deixando as sós com minha irmã.

— E agora o que vamos fazer? — perguntou minha irmã.

— Vamos nos preparar para o enterro.

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