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Enamorar-se pelo oposto de mim romance Capítulo 8

Alexia

O enterro foi rápido, era impressionante como depois que uma pessoa morria, ela sempre virava boazinha. Não havia nenhuma reclamação de nenhum diretor presente. O caixão estava lacrado, já que o carro pegou fogo, quando caiu na serra, pelo menos, meu pai teve o seu desejo realizado de ser cremado, pena que foi em vida. Que pensamento infame! As pessoas vinham até mim, dizendo como meu pai era um excelente chefe. Eu tinha minhas dúvidas, quando assumi a empresa, devido a sua viagem, que resultou nessa tragédia. Podia ver como eram incompetentes aqueles diretores que o cercava. Ou meu pai era bonzinho mesmo, ou era cego.

O enterro do tio da Patrícia, foi ao mesmo tempo que a do nosso pai, porém, as únicas presenças eram da minha irmã e de sua mãe. Eu nem me dei trabalho de ir no velório do tio da Patrícia, se eu não o queria perto de mim em vida, muito menos em sua morte. Pensei que, como o tio dela nunca teve família, era bem capaz da Patrícia herdar a parte dele na sociedade, nós duas iríamos administrar a empresa juntas...

Na hora da leitura do testamento, estavam todos os seis advogados da empresa, a minha irmã, a mãe da minha irmã, o Antony que não sei porque motivo ele estava aqui, assim como o Conrado e eu. Assim que o Robson abriu o envelope contendo o testamento do meu pai, a porta da sala de reuniões abriu.

— Esperem! Vocês não podem abrir o testamento sem a minha presença. — Absurdo! Como essa mulher era inconveniente, minha mãe não apareceu em casa, não foi ao enterro, agora entrou na sala como se fosse a pessoa mais importante da reunião, vestida de preto, com óculos de sol na cara. — O que essa mulher quer aqui? — Ela apontou para a mãe da patrícia.

— Ela veio para a leitura do testamento, assim como você. Afinal, Patrícia é filha dele.

— Essa bastardinha, não merece o que é seu.

— Mãe, chega! Se não parar com as ofensas, eu te coloco para fora.

— Você não faria isso com sua mãe?

— Pode apostar que sim.

Finalmente, ela se calou e o Robson começou a leitura do testamento.

— Antes de ler o testamento do Roberto, vou ler o testamento do Francisco. — Ele começou a ler o testamento na parte burocrática e em seguida, ele revelou quem iria assumir a parte do Francisco na empresa. — “Eu deixo todos os meus bens, assim como a minha parte da empresa, para meu único herdeiro, cujo o nome será revelado, a partir do momento que ele aceitar fazer parte desta companhia.”

— Eu não sabia que meu tio tinha um filho — disse Patrícia.

Também fiquei chocada com essa revelação, nunca pensei que um homem como Francisco, pudesse ter um dia tido um relacionamento com alguém.

— Eu não fazia ideia da existência desse sobrinho — disse Alessandra, mãe da Patrícia.

E eu, que pensei que a Patrícia herdaria a herança do tio e juntas administraríamos a empresa.

— Parece que vocês não significavam nada para Francisco, ele não deixou um centavo sequer para vocês — disse minha mãe, com um sorriso de vitória estampado no rosto.

— Cala a boca! Francisco pode ter sido egoísta e não ter deixado nada para elas, mas tenho certeza que meu pai não fez o mesmo. — O sorriso da minha mãe murchou, ela sabia muito bem que meu pai não deixaria Patrícia e sua mãe sem nada.

— Agora vou ler o testamento do Roberto — Robson tirou o documento de dentro do envelope e começou a ler. — “Para Alessandra, essa mulher extraordinária, eu deixo a mansão da qual ela vive hoje.” — Alessandra continuou serena e de cabeça baixa, apenas ouvindo. Ela não falou muita coisa até agora e nem se deu ao luxo de responder as provocações da minha mãe. — “Para Patrícia, minha querida filha, deixo um apartamento na cobertura no centro da cidade.” — Patrícia olhou para mim, dando um sorriso contido. — “Para Paula, a mulher que estragou a minha vida, deixo a mansão em que vivemos juntos, para desencargo de consciência.”

— O que? Como ele pode falar assim da mulher que deu sua primogênita?

Eu não seria a primogênita se ela não provocasse o parto antes da data, eu poderia ter morrido. Ela mereceu ouvir isso.

— “Para a sucessão da minha empresa, como está no estatuto, fica para o primogênito, como não tive filho do sexo masculino, fica para filha que se casar primeiro.”

— O que? — Patrícia e eu falamos ao mesmo tempo.

Vi o Conrado sorrindo para mim, ele esperava se casar comigo para ter algum controle na presidência da empresa e eu que queria arrumar uma desculpa para terminar com ele, agora essa desculpa foi por água baixo.

— “Estabeleço um ano para que uma de minhas filhas se case, enquanto isso não ocorre, a sucessão ficará encargo do meu sócio. Depois de um ano, ele poderá decidir se passará a empresa para o nome de uma de minhas filhas, se vai administrar a empresa com elas, ou ele mesmo poderá assumir, se assim quiser. Isso se nenhuma delas tiver contraído matrimônio, caso contrário, assumirá quem estiver casada.”

O Robson recolheu as folhas e colocou de volta dentro do envelope. As pessoas que estavam na reunião começam a sair.

— Espera aí, meu pai não me incluiu no testamento? — perguntei angustiada.

— Você poderá administrar a empresa com o filho do Francisco — Robson disse tranquilamente.

— Isso, se o filho do sócio dele quiser. Eu não acredito que ele me deixou sem nada. — Robson esperou todos saírem e falou baixinho comigo.

— Eu conheci o filho do Francisco, ele é bom com finanças, mas não entende nada de administrar uma empresa. Vocês podem ajudar um ao outro.

— Eu não quero administrar a empresa com alguém na minha cola, eu aceitaria administrar com minha irmã e não com alguém que nunca vi na vida. — E se tratando do filho daquele homem asqueroso, só podia dá merda, principalmente, se ele fosse como o pai dele.

— Esse é o único jeito para você não ficar sem nada. Já falei com ele e segunda-feira ele vem aqui para conhecer a empresa.

— Vamos esperar até segunda-feira, então, para ver o que vai acontecer.

Saímos da sala de reunião, ele foi embora e eu fui para a sala da presidência, onde o Antony estava sentado na minha cadeira.

— Saia! — digo de uma vez.

— Ao invés de ficar contra mim, acho que seria bom unir as nossas forças. — Caí na gargalhada, que audácia!

— Eu não acredito, além de nunca ter sido uma mãe de verdade, você vai colocar sua única filha para fora de casa?

— Seu pai não viu utilidade para você durante a vida dele, por que eu ainda iria te querer aqui?

Fiquei abismada de como essa mulher podia ser tão ruim.

— Eu não vou sair dessa casa.

— Ou você sai, ou eu chamo a polícia.

Era só o que faltava, acabar o meu dia, presa. Essa mulher não perde por esperar.

— Um dia, a senhora vai precisar de mim. — Ela deu uma gargalhada.

Peguei minhas malas e saí daquela mansão, nem conferi se todas as minhas coisas estavam ali dentro e nessa altura não importava. Estou na merda, mesmo! Não tinha para onde ir, meu pai não deixou nem um lugarzinho para morar, a minha única solução era pedir abrigo para minha irmã. Esperava que elas não me virassem as costas, afinal, eu sempre me dei bem com elas e se elas me colocassem para fora, terei que arrumar um lugar estacionar o carro dormir dentro dele.

Chegando na mansão da Alessandra, pressionei a campainha, a empregada me recepcionou e os seguranças carregaram minhas malas para dentro da casa.

— O que aconteceu? — perguntou Patrícia, ao perceber minhas malas.

— Dona Paula me colocou para fora de casa.

— Eu não acredito que sua mãe fez isso?

— Pois é, ela fez. Posso passar a noite aqui, amanhã eu procuro um lugar para mim.

— Claro, minha querida! Você pode ficar o tempo que precisar — disse Alessandra, ao entrar na sala.

Ela abriu os braços me chamando para me aconchegar nela, eu a abracei e comecei a chorar. Minhas lágrimas eram de ressentimento, de raiva do meu pai, por não ter deixado nenhum teto para eu morar, da falta de consideração da minha mãe, por ter me expulsado de casa, falta de amor dos dois que achavam que o dinheiro compraria o amor que eles nunca souberam ter por mim, e muito, muito ódio do meu pai, por achar que preciso de um homem na minha vida, para ter capacidade de administrar aquela empresa.

— Eu não acredito que seu pai fez isso com você, deve ter algum erro no testamento — disse Alessandra.

— Eu não sei, segunda-feira, eu vejo o que vai ser da minha vida.

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