Entrar Via

Encontrei o Preservativo e Entendi que Era uma Terceira romance Capítulo 6

Ela foi até a copa e ligou para Clarice.

Clarice era a secretária principal de Lucas. Ela trabalhava com ele há cinco anos e era eficiente.

O telefone tocou três vezes e a ligação atendeu.

— Secretária Clarice, é a Patrícia. — Ela pausou. — O Sr. Henriques pediu para eu entrar em contato sobre o remédio do meu tio.

— Senhorita Bittencourt. — Clarice a interrompeu num tom estritamente profissional. — O Sr. Lucas não me deu nenhuma instrução a respeito disso.

Os dedos de Patrícia se apertaram no celular.

Ela a chamava de Senhorita Bittencourt, nunca de Sra. Henriques.

Casada há dois anos, Clarice nunca a chamou de "Sra. Henriques". Não dizia pessoalmente nem pelas costas. Era como se ela, a esposa, não fosse legítima.

— Ele me disse ontem para eu falar diretamente com você.

— Entendido, vou perguntar ao Sr. Henriques. — Clarice desligou em seguida.

Patrícia ficou perto da janela da copa, observando as pessoas passarem lá embaixo. O sol do início da primavera bateu e fez os olhos dela arderem.

Alguns minutos depois, o celular tocou.

A voz de Clarice soou: — Senhorita Bittencourt, o Sr. Henriques deu as instruções, entre em contato com o Diretor Castro, do Departamento de Assuntos Internacionais do Grupo.

Patrícia ia agradecer, quando soou o aviso do aplicativo de mensagens. Era de Clarice: [Senhorita Bittencourt, segue o contato do Diretor Castro.]

Patrícia conteve a tristeza no peito e ligou para o Diretor Castro.

A voz do outro lado foi igualmente educada, distante e profissional: — Senhorita Bittencourt, não é? Estou ciente. Eu já avisei ao departamento do País A. Entre em contato com o Gerente Valente, vou enviar o número dele para você.

— Está bem, obrigada, Diretor Castro.

— De nada.

A ligação caiu, e o Diretor Castro mandou um nome e um número de telefone.

Patrícia olhou para os números frios e achou graça. Todos a passavam de um para o outro, como se ela não tivesse importância. Ninguém a segurava, ninguém a levava a sério. Todos sabiam que a Sra. Henriques não era querida pela família do marido.

Passos e conversas baixas vieram do lado de fora da copa.

Duas enfermeiras entraram segurando canecas. Elas não viram a pessoa no canto e falavam sobre fofocas em voz baixa.

— Ei, você sabia? Aquele velho no sexto andar é o tio da esposa do Sr. Henriques.

— Que situação ruim, nós estamos em apuros!

O som dos passos se afastou rapidamente.

Patrícia ficou de pé por um instante.

De repente, o toque do celular soou de novo. Era o Lucas. Patrícia achou que ele fosse falar do remédio, mas para a surpresa dela, ele disse:

— Venha comigo num coquetel hoje à noite, se arrume.

Aquele pouco de esperança no coração apagou. Patrícia olhou para baixo e disse: — Eu não quero ir.

O outro lado também ficou em silêncio. Alguns segundos depois, a voz de Lucas soou fria e impaciente: — Patrícia, você é a Sra. Henriques. Todos os convidados do coquetel são nossos parceiros de negócios. O que as pessoas vão pensar se você não aparecer? Como pode ser a Sra. Henriques se é tão reservada?

Ele pausou, com o tom de voz ditando ordens: — Mando o motorista te buscar no fim da tarde, lembre de passar na mansão para pegar algumas joias.

Ele desligou sem se despedir.

Patrícia ficou estática por alguns segundos. Ela devia voltar?

Ela não queria ir à mansão da família Henriques.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Encontrei o Preservativo e Entendi que Era uma Terceira