Quando Patrícia voltou à mansão da família Henriques, sua sogra Viviane estava fazendo arranjos florais na sala de estar.
Patrícia ficou na entrada, trocou os sapatos e a chamou suavemente: — Mãe.
— Oh, uma visitante rara. — Viviane sequer ergueu a cabeça. — Que surpresa vê-la aqui hoje. Pensei que estaria ocupada o dia todo com os assuntos da sua família.
— O Lucas me pediu para vir pegar umas coisas. — Patrícia respondeu com paciência.
Viviane finalmente abriu os olhos e a examinou, observando seu vestido desbotado pelas lavagens e seu rosto limpo. Os cantos da boca se mexeram: — O Lucas te pediu para pegar coisas emprestadas, não é?
Patrícia sabia que Viviane a desprezava. Ela vinha de uma família modesta e, na visão de Viviane, não era digna de Lucas nem da família Henriques.
— As joias estão no cofre, venha comigo. — Viviane largou a tesoura, limpou as mãos num pano e se levantou lentamente, subindo as escadas.
Patrícia foi atrás dela.
No escritório do segundo andar, o cofre estava embutido na parede. Viviane digitou a senha, e a porta fez um "clique" ao se abrir, mostrando fileiras de porta-joias elegantes.
As joias brilhavam intensamente, ofuscando a visão.
Viviane pegou uma caixa de veludo verde-escuro e a abriu, revelando um conjunto inteiro de esmeraldas com colar, brincos e bracelete. Era cristalino e valioso.
— O Lucas me falou, para o coquetel desta noite este conjunto de esmeraldas é o mais adequado. — Ela entregou um papel. — Assine aqui.
Patrícia hesitou por um segundo. Ao pegar o papel, viu duas letras grandes dizendo "Recibo".
[Pegou emprestado um conjunto completo de joias de esmeralda da família Henriques, no valor de Trinta Milhões de Reais. Em caso de dano ou perda, pague o preço total. Assinatura de quem empresta: ______.]
Patrícia olhou para Viviane: — Mãe...
Viviane arqueou uma sobrancelha: — O que foi? Não vai assinar? Se não assinar, eu não me atrevo a deixar você levar. Essas joias têm um valor altíssimo. Se você as perder, quem vai arcar com o prejuízo?
Patrícia empurrou a caixa de volta.
— Não precisa. — Ela disse. — Obrigada, mãe.
Ela se virou para descer as escadas.
A voz de Viviane veio de trás dela: — Que falta de educação. Realmente não sei de que família ela vem.
Lá embaixo, Henrique estava no sofá lendo o jornal. Ele não levantou a cabeça.
Apoiada na bengala, Dona Heloísa deu um passo à frente e apontou para ela: — Vou te dizer, as joias são minhas, da velha aqui, e não da sua família Henriques! Se minha neta quiser usá-las, ela pode pegá-las a qualquer hora. Não preciso de você mostrando poder!
— Mãe, não fique brava.
— Com certeza você está provocando a Patrícia de novo! — Dona Heloísa a interrompeu e bateu a bengala no chão com força. — Acha que eu não percebo?
Henrique abaixou o jornal e levantou-se: — Mãe, acalme-se.
— Vocês... — Dona Heloísa apontou para o filho, e depois para a nora. — Lembrem-se: a família Henriques construiu seu sucesso graças à grandeza, não à sua pequenez de espírito!
...
O coquetel era em um clube particular no centro da cidade.
Quando Patrícia entrou sozinha, o barulho no salão diminuiu por um momento.
Ela vestia um vestido simples de veludo preto. Fazia sua figura parecer delgada, com traços meigos. O cabelo estava preso num coque baixo e a maquiagem leve era delicada, deixando-a mais bonita do que uma estrela de cinema.
Ela não usava nenhuma joia no pescoço ou nos pulsos, apenas pequenos brincos de pérola. No meio de tantas mulheres com joias brilhantes, isso chamava bastante a atenção.

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