Aquelas palavras continham um aviso implícito.
E Adelina sabia muito bem disso.
Ela sentiu um pouco de medo.
Diante daquela situação, sua sensação de injustiça apenas aumentou.
— Bernardo, me desculpe... — Ela abaixou a cabeça e pediu perdão.
Com suas mãos delicadas, agarrou a manga da camisa de Bernardo.
— Eu te amo demais, por isso fico tão nervosa. Tenho medo que você me deixe. Durante todos esses anos, sempre vivi apavorada. Sei que agir assim é errado, me perdoe...
Adelina falou num sussurro.
A arrogância de antes havia desaparecido por completo.
— Bernardo, por causa do Caio, não fique zangado comigo, está bem? — Adelina usou Caio como pretexto.
Ela sabia que Bernardo ainda se importava com Caio.
Para ser mais exata, toda a família Pereira se importava com Caio.
Como esperado, o nome do menino fez com que a expressão de Bernardo relaxasse imediatamente.
Ele abaixou o olhar para Adelina.
Ela continuava olhando para ele com uma expressão digna de pena.
— Bernardo...
— A que horas é o teste de elenco amanhã? — perguntou Bernardo, de repente.
A pergunta a pegou de surpresa.
Ela piscou, atônita, e logo seus olhos brilharam de surpresa e alegria.
— Você vai me acompanhar no teste?
Bernardo não respondeu.
Adelina não ousou insistir e respondeu prontamente:
— Será às duas da tarde.
Bernardo murmurou em concordância, sem dizer mais nada.
Adelina perguntou com cautela:
— Bernardo, você vai comigo?
— Eu preciso voltar para Lagoa Cristalina. Mas vou dar um jeito de avisá-los. Se você vai conseguir ou não, dependerá apenas de você. — respondeu ele num tom pausado e calmo.
Os olhos de Adelina se encheram de alegria.
Aquela era a primeira vez, em todos aqueles anos, que Bernardo se dispunha a falar com ela daquele jeito.
Por isso, sentiu que a vitória estava garantida.

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