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Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo romance Capítulo 69

Sem pensar duas vezes, ele perdeu o controle, avançando sobre ela e prensando-a contra o colchão do hospital.

O impacto repentino quase a sufocou.

No entanto, surpreendentemente, Cora não reagiu. Apenas sustentou o olhar sobre ele com uma teimosia absurda.

Com o aperto em seu pescoço, sua voz saiu rouca.

— Bernardo, me mate de uma vez por todas.

Concluiu ela, envolta em uma frieza cortante.

Era a atitude de quem já não tinha mais nada a perder.

Bernardo cravou os olhos nela, com os seus ligeiramente avermelhados de cólera:

— Você acha que eu não teria coragem?

Cora manteve-se calada, num estado de apatia completa.

E era justamente essa postura passiva que atiçava ainda mais o fogo da raiva nele.

Ele zombou, amargo:

— Já que você não quer viver, acha que eu vou implorar para você respirar?

Diante dele, ela continuou inexpressiva.

Mas, de repente, as pupilas dela se dilataram, encarando-o incrédula.

A sensação de sufocamento tornava-se cada vez mais real.

Suas mãos apertaram o pescoço dela novamente. E, dessa vez, não era uma simples ameaça.

Ele estava apertando com toda a força, como se realmente estivesse prestes a tirar sua vida.

Movida pelo instinto mais básico de sobrevivência, as mãos dela agarraram os braços de Bernardo.

Mas era em vão. A discrepância de força entre os dois era abismal.

Imobilizada na cama do hospital, Cora não conseguia se soltar.

Quando sentiu suas energias se esvaírem, tudo o que pôde fazer foi olhá-lo com profundo desespero.

Ela sentiu que o ponto a que o casamento deles havia chegado era a pior das piadas.

Em vez de uma separação civilizada, havia se tornado uma luta brutal entre a vida e a morte.

Bernardo não pôde deixar de notar aquele olhar.

— Cora, pare de encenar para cima de mim.

Vociferou ele, trincando os dentes, sem afrouxar o aperto.

Naquele exato instante, uma enfermeira entrou no quarto e empalideceu ao ver a cena.

— Sr. Pereira, por favor, solte-a! O senhor vai causar uma tragédia!

A enfermeira gritou, tomada pelo pânico.

Um médico apareceu correndo logo atrás:

— Sr. Pereira, se continuar assim, ela sem dúvida perderá o bebê!

Que ironia do destino.

Ela fechou os olhos, calada, afundada numa imensa exaustão física e emocional.

Outra enfermeira entrou com a medicação preparada e olhou para ela.

Obviamente, estava ciente de todo o alvoroço que acabara de acontecer.

Enquanto ajustava o soro intravenoso de Cora, tentou ser gentil:

— Sra. Pereira, acho que o seu marido ainda se importa com a senhora. Ele permaneceu o tempo todo do lado de fora, não foi embora.

Cora pareceu levemente surpresa por um instante, mas logo abriu um sorriso tênue, quase imperceptível.

Naquele breve lampejo, o pensamento de que Bernardo teria ficado por algum afeto também cruzou sua mente.

Mas rapidamente essa ilusão deu lugar a um riso amargo e cínico voltado contra si mesma.

Como aquilo poderia ser algum sinal de carinho?

Se ele realmente se importasse, teria sido tão cruel a ponto de quase asfixiá-la?

Mas, se ele não se importava, por que não havia partido? Estaria do lado de fora maquinando novas formas de puni-la?

Ela se via como uma alma desgarrada, que valor sua vida teria afinal? Não havia mais nada a temer.

Cora foi se fechando num silêncio ainda mais denso.

A enfermeira, sentindo o peso do ambiente, não ousou prolongar a conversa; apenas conferiu o gotejamento do soro e saiu apressada.

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