Caio estava prestes a responder Cora.
A voz de Bernardo surgiu no ar, num tom pausado e calculado:
— Caio, não está na hora de você ir tomar banho?
O menino piscou, confuso:
— Agora?
Bernardo confirmou com um som firme.
Acostumado a obedecer ao pai cegamente, o menino não fez mais perguntas e foi direto para o banheiro.
Bernardo o observou sumir pela porta.
Com uma naturalidade assustadora, ele pegou o celular da criança.
Fazendo-se passar por Caio, Bernardo enviou uma resposta a Cora.
Caio: [Que bom! Então, posso ir a Luzia do Mar te ver?]
Cora: [Você é sempre bem-vindo.]
Caio: [Mas se eu for, o papai com certeza vai querer ir junto, tem algum problema?]
Bernardo enviou a mensagem, simulando a inocência e o tom do menino.
Ele manteve o rosto impenetrável, aguardando pacientemente pelo retorno dela.
Como esperado, a resposta de Cora demorou muito mais.
Ele via o aviso de "digitando..." aparecer e sumir diversas vezes no topo da tela.
Mas nenhuma mensagem concreta era recebida.
Caio: [Tia, eu não posso ir?]
Depois de refletir bastante, Bernardo pressionou Cora diretamente.
Desta vez, o balãozinho dela saltou na tela.
Cora: [Pode sim. Mas seu pai é uma pessoa muito ocupada, acho que ele não vai ter tempo. Mas se você quiser vir, me avise e eu mando alguém te buscar, pode ser?]
Aquilo, nas entrelinhas da escrita, era um atestado claro de que ele não era bem-vindo ali.
Como se Bernardo não fosse astuto o suficiente para perceber.
Ahn.
Ela queria cortar todos os laços com ele a qualquer custo.
Mas, ao mesmo tempo, suas palavras doces continuavam instigando o filho dele?
O que ela pretendia com isso?
Bernardo sentiu uma grande amargura subir em seu peito naquele instante.
Afinal, a dinâmica deles acontecia em cenários bem menos formais.
Quando ele estava vestido de forma oficial e engravatado, os olhos dela nunca repousavam nele.
Como ela poderia saber da sua aparência usando calça preta e camisa branca?
Naquele devaneio provocado pelas mensagens, as lembranças antigas inundaram a mente de Bernardo.
A sua ex-esposa, a versão original de Cora.
Ela havia repetido diversas vezes o quanto adorava vê-lo de calça preta e camisa branca.
Naquela época, Bernardo não dava a mínima para essas trivialidades.
Mas era inegável que, sempre que ele vestia aquele conjunto na frente dela.
Ela ficava radiante e facilmente empolgada.
O olhar de Bernardo afundou numa quietude assombrosa.
Seus dedos hábeis se preparavam para disparar outra mensagem, quando o barulho do chuveiro cessou.
Os passos rápidos de Caio ecoaram, cheios de energia:
— Papai, já terminei meu banho, você pegou minha roupa para mim?
— Já vou levar. — Bernardo respondeu num tom raso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....