O sono de Cora era tão leve que o menor dos ruídos a despertava com clareza.
— Noelia? Teve um pesadelo? — perguntou Cora em voz baixa para Noelia.
A menina não dava sinais de que iria acordar.
Porém, quando Cora tocou em Noelia, seu rosto empalideceu.
Ela estava com febre. E para a pequena, qualquer episódio febril poderia facilmente desencadear um coma ou algo pior.
Por um breve momento, Cora sentiu-se completamente desamparada. Forçando-se a manter a calma, ligou para o médico de Noelia e explicou a situação.
— Sra. Fernandes, traga a menina imediatamente para o hospital — instruiu o médico em tom firme. — Estou indo para lá agora mesmo.
A condição de Noelia era delicada demais. Para uma criança comum, uma febre seria algo banal, mas para ela, podia ser fatal.
Correr para o hospital era, sem dúvida, a única decisão sensata.
— Tudo bem — concordou Cora, sem hesitar.
Em instantes, ela encerrou a ligação.
O apartamento estava mergulhado no silêncio, deixando-a sozinha com a crise.
Chamar os empregados agora seria inútil. O mais rápido levaria mais de meia hora para chegar.
Trinta minutos poderiam representar uma sentença de morte para Noelia.
— Noelia, acorde, você está com febre, precisamos ir ao hospital — chamava Cora, tentando despertar a menina.
Contudo, Noelia apenas entreabriu os olhos por um segundo antes de seu corpo amolecer por completo.
Não lhe restava um pingo de energia.
Naquelas condições, Cora não tinha força suficiente para carregar a criança.
Não havia tempo a perder. Chamar uma ambulância demoraria demais.
E recorrer a Daniel estava fora de cogitação, já que ele estava em um voo.
Cora respirou fundo.
Tentou erguer Noelia várias vezes, sem sucesso.
Desesperada, a imagem de Bernardo veio logo na sua cabeça.
Seja um castigo do destino ou não, Bernardo era a única pessoa que ela podia recorrer naquele momento.
Após um instante de reflexão, pegou o celular e removeu o número dele da lista de bloqueados.
Mesmo sabendo que as leituras desses aparelhos podiam ser imprecisas, ela não conseguia relaxar.
Morando na porta ao lado, Bernardo levou apenas alguns minutos para chegar.
Assim que a campainha soou, Cora correu apressada para abrir.
Ele entrou e, ao notar que ela vestia apenas uma camisola de alças finas, seu olhar escureceu.
— Vá se trocar — ordenou ele em tom controlado.
Cora abaixou a cabeça e só então se deu conta de seus trajes.
Aquela roupa, inadequada e um tanto sugestiva para estar diante de um homem, a deixou embaraçada.
Ela assentiu rapidamente.
Bernardo não perdeu tempo; entrou no quarto principal e tomou Noelia nos braços com facilidade.
A menina pareceu reconhecer a presença dele e não ofereceu a menor resistência.
Em pouco tempo, Cora reapareceu, já vestida.
Semidesperta, Noelia descansava a cabeça no ombro de Bernardo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....