— Bernardo... — ela murmurou.
— Shh. Vou levá-la ao hospital — acalmou ele, em voz suave.
Noelia apenas assentiu.
Por conta da febre, seu rostinho estava assustadoramente ruborizado.
Com tudo pronto e sem hesitar, Cora acompanhou os passos largos de Bernardo.
O utilitário esportivo preto rasgou o asfalto das principais vias de Luzia do Mar.
Em menos de quinze minutos, já haviam chegado ao hospital.
No trajeto, Cora fez mais uma ligação para o médico.
Ele já os aguardava na entrada.
Imediatamente, Noelia foi encaminhada para a sala de observação.
Do lado de fora, Cora percebeu que as palmas de suas mãos estavam encharcadas de suor.
Aquele sentimento de pânico avassalador fez com que suas forças fraquejassem.
— Cuidado — alertou Bernardo, e sua mão envolveu a cintura dela com naturalidade, amparando-a.
Cora ergueu os olhos para ele, apática.
Mas logo em seguida, calou-se.
Bernardo não parecia ter a menor intenção de soltá-la.
Sua voz grave e sedutora ressoou bem perto:
— Agora que estamos no hospital, não há com o que se preocupar. Os médicos conhecem bem o histórico da Noelia.
Cora apenas murmurou em concordância.
Sutilmente, ela desvencilhou-se do aperto dele.
Bernardo lançou-lhe um olhar impassível, sem proferir uma palavra.
— Bernardo, obrigada por me ajudar a trazer a Noelia até aqui — disse Cora após um longo silêncio, tomando a iniciativa de quebrar o gelo.
Ele a encarou, inexpressivo.
— E agora pretende simplesmente me descartar?
A franqueza da pergunta a deixou constrangida.
Afinal, era exatamente isso que ela planejava fazer.
Mas não esperava que ele fosse jogar isso na sua cara com tanta naturalidade.
Mas, antes que pudesse concluir a frase, foi silenciada por um beijo avassalador que cortou sua respiração.
Cora arregalou os olhos, em choque.
Ali estava ela, no corredor de um hospital, imprensada por Bernardo e sendo beijada com uma intensidade feroz.
Apesar da calada da noite, médicos e enfermeiras continuavam de plantão.
Qualquer um poderia passar por ali e flagrá-los naquela situação.
Estavam em Luzia do Mar.
E Cora tinha plena consciência de quem era e da posição que ocupava.
Ao recobrar os sentidos, começou a se debater instintivamente sem pensar duas vezes.
Contudo, Bernardo não lhe concedeu qualquer brecha.
Quanto mais ela lutava, mais implacável ele se tornava.
Ele a encurralou de tal forma que lhe tirou todas as vias de fuga.
A respiração de Cora tornou-se ofegante.
Pequenos gemidos abafados preencheram o ar silencioso do hospital, embora ela não ousasse fazer alarde.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....