A diferença de força entre homem e mulher deixava Bernardo muito mais forte que ela.
Ele manteve a investida até que Cora perdesse completamente as forças.
Só então seus gestos suavizaram.
A ferocidade e o domínio deram lugar a uma ternura avassaladora, tomando posse de cada centímetro dela.
Quando finalmente se deu por satisfeito, Bernardo a libertou.
— Cora, não ouse pensar que pode me usar e depois jogar fora, ouviu? — a voz dele já havia retornado ao tom habitual, mas carregava um aviso inegável.
Ele acariciou a pele dela de leve.
Seu olhar também havia se tornado repentinamente sério.
— Ninguém jamais ousou me usar e descartar, entendeu? — articulou cada palavra com precisão cortante.
Cora puxou o ar com força, obrigando-se a manter a calma.
Então, após recompor-se, ela o encarou:
— Bernardo, o que você quer de mim, afinal?
— A pergunta é: o que você quer de mim, Cora? — devolveu ele, sem rodeios.
A réplica a deixou sem palavras.
Mas Bernardo não estava disposto a recuar.
— Essa sua aproximação calculada... Foi obra do Daniel ou iniciativa sua? — continuou ele, disparando as perguntas sem lhe dar chance de respirar.
Os questionamentos incisivos deixaram Cora completamente acuada.
Como ela permaneceu em silêncio, Bernardo abaixou ainda mais o tom de voz.
— Sabia que, agindo assim, você só me deixa mais interessado, Cora? — sussurrou de forma sombria.
Cada palavra dele batia forte no peito dela, deixando-a suando frio de nervoso.
Ainda assim, ele não se afastou.
Não demonstrou a menor intenção de soltá-la.
De repente, o som apressado dos passos de uma enfermeira ecoou pelo corredor.
Instintivamente, Cora olhou em direção à entrada.
Bernardo fez o mesmo e, de forma calculada e lenta, finalmente a libertou.
Contudo, seu aviso ainda ecoou de modo denso.
— Cora, não gosto que brinquem comigo, estamos entendidos?
E era por esse exato motivo que ela vivia sempre em estado de alerta, paralisada a cada pequeno susto.
As palavras de Cora, entretanto, fizeram Bernardo calar-se.
Uma coincidência perturbadora.
Sua primeira filha enfrentara um quadro praticamente idêntico.
Mas não tivera a mesma sorte que Noelia ostentava agora.
Na época, Bernardo não teve a chance de sequer olhar direito para a própria filha antes do pior acontecer.
Aquilo, somado aos diversos acidentes trágicos daquele ano, virou um abismo sem fim.
Um pesar irrecuperável.
E aquela criança havia se tornado a raiz definitiva do rompimento entre ele e Cora.
O fim desastroso de tudo o que conheciam.
— Quer que eu ajude? — perguntou ele, quebrando o silêncio num tom contido.
— Não precisa — recusou Cora no mesmo instante.
Se Bernardo interferisse, a relação entre eles se tornaria ainda mais intrincada do que já estava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....