Sem alternativas viáveis, Cora se viu de mãos atadas.
Acabou sendo forçada a enviar uma mensagem para Bernardo.
Cora: [Sr. Pereira, de qual restaurante era a canja que o senhor comprou para a Noelia ontem?]
Eram palavras extremamente educadas e formais.
Uma maneira de estabelecer distância entre eles.
Apesar de tudo que já havia acontecido entre os dois.
Após enviar a mensagem, Cora não tirou os olhos da tela do celular.
Mas Bernardo, propositalmente, não respondeu.
Era impossível para Cora não ficar ansiosa.
Porém, ela não era boba.
Sabia que Bernardo queria que ela tomasse a iniciativa.
Ele havia lhe dado uma escolha antes, mas ela havia recuado.
Agora que ela precisava dele de novo, era ela quem estava nas mãos dele, não o contrário.
Assim, após um momento de silêncio, Cora tomou coragem e ligou para Bernardo.
Mas ele simplesmente não atendeu a chamada.
As sobrancelhas de Cora se franziram em um vinco profundo.
Então entrar em contato por telefone não era suficiente.
Será que ele queria que eu fosse até a porta dele me humilhando?
Não que fosse surpresa, era exatamente o tipo de jogo cruel que Bernardo gostava de jogar.
Diante daquela humilhação silenciosa, Cora forçou-se a manter a calma.
Nesse instante, Noelia abriu os olhos languidamente. Não disse uma palavra.
Mas suas pequenas mãos massagearam a barriga em um gesto triste e indefeso.
Estava com fome.
Seus grandes olhos redondos encararam Cora, suplicantes.
Cora sabia o que a menina estava querendo perguntar.
Ela soltou um suspiro:
— A comida de ontem foi o Bernardo quem encomendou. Vou até lá perguntar de onde era, tá bem?
Noelia assentiu:
— Você vai ligar para ele?
— Acho que vou ter que ir até lá. — Cora ponderou e decidiu não mentir.
— É mesmo? — Bernardo riu.
Com Noelia nos braços, virou as costas e entrou no apartamento, ignorando completamente a presença de Cora.
Cora observou as costas dele, amaldiçoando-o mentalmente pela falsidade.
Ele sabia muito bem por que ela estava ali, mas insistia naquele teatrinho.
No entanto, ela não abriu a boca, temendo cair em mais uma de suas armadilhas.
Afinal, era ela quem precisava dele.
Fosse pela maldita canja ou pela cirurgia de Noelia.
O poder estava inteiramente nas mãos dele.
A Cora só restava a submissão.
Ela o seguiu apartamento adentro, mas fez questão de manter uma distância segura.
Somente após colocar Noelia no chão é que Bernardo se virou para encará-la.
— Não vai entrar? — Ele perguntou, embora soubesse a resposta.
Cora respondeu de forma direta:
— Não será necessário. Basta o Sr. Pereira me dizer o nome do restaurante, que eu faço o pedido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....