Devolveu o retrato ao seu lugar e suspirou profundamente. Não deixaria que a dúvida que Simon jogara sobre si criasse raízes. Logo seria esposa de Nathaniel. Se isso não provava o quanto ele a amava, duvidava que a cama provasse.
Simon jamais tivera um romance sério, com mais de poucas semanas, não podia afirmar o que não conhecia. O que dissera fora para constrangê-la. Recordar aquele incidente não a levaria a nada. Simon não compreenderia os motivos que Nathaniel e ela tinham para aguardar o momento certo, que, obviamente, seria após o casamento.
Tremeu levemente ao pensar na noite de núpcias. Sendo o bruto arrogante que era, Simon seria incapaz de oferecer o espaço que precisava ou a respeitaria como Nathaniel. Afastou aquele pensamento inconveniente e absurdo.
O som da campainha a fez retirar as luvas e o avental, colocando o trabalho de lado para seguir apressada em direção à entrada.
Pelo olho mágico viu se tratar de Mirela. Ajeitou a roupa, abriu a porta e não se surpreendeu ao ter os ombros imobilizados pelo abraço da Salvatore.
— O que está fazendo? — a Salvatore perguntou após encerrar o abraço para permitir que Paulina trancasse a porta.
— Terminava de arrumar o escritório — respondeu com um sorriso gentil.
— Não precisa limpar nada. Deixe tudo nas mãos da diarista — Mirela sentenciou e, segurando a mão direita da Perez, completou carinhosa: — Você só tem que verificar tudo e garantir que a vida do meu filho seja perfeita.
Duvidando que sua presença naquele apartamento influenciasse Simon, Paulina assentiu com insegurança.
De repente teve a mão puxada bruscamente até a altura dos olhos negros da Salvatore.
— O que é isso? — questionou a Salvatore com o olhar fixo no anel de diamante.
— O Nathaniel me pediu em casamento — contou transbordando de alegria. — Pretendemos comunicar o meu pai no fim de semana. Pode guardar segredo até lá?
— Oh, claro! — Mirela concordou ao parar de apreciar o solitário e analisar a face feliz de Paulina. — Já escolheram a data?
— Não decidimos o dia, mas Nathaniel quer que seja daqui quatro meses.
— Tão rápido?
— Depois de tanto tempo juntos, queria que fosse hoje — comentou sem conseguir segurar uma risadinha de felicidade. — Mas Nathaniel quer que ocorra após o lançamento do novo produto que a Muller lançará.
— Compreendo... — Mirela murmurou.
Notando o semblante sério da Salvatore, Paulina se apressou a garantir:
— Ficarei aqui até o casamento... Depois terei de sair...
— Não precisa se justificar, querida. — Os lábios da Salvatore se inclinaram em um pequeno sorriso. — Sua felicidade é o que importa.
— Obrigada!
Paulina considerava “terrível” a característica mais marcante de Simon, porém não verbalizou, afinal, ele era seu patrão. Optou por mudar de assunto.
— A diarista chega a que horas?
Mirela franziu o cenho.
— Não está aqui? — Olhou ao redor. — Pensei que estivesse ajudando-a.
Paulina suspirou e negou que houvesse mais alguém na casa. Conhecendo a implicância do Salvatore, deduziu que — fosse para irrita-la ou só mostrar seu poder — houvesse demitido a diarista. Mas, novamente, guardou seus pensamentos.
— Já sei! Vamos a empresa saber o que houve — decidiu Mirela agarrando sua mão e arrastando-a em direção a porta.
Paulina tentou para-la, temendo que a Salvatore confrontasse o filho no trabalho. A última coisa que queria era entrar em conflito com Simon.
— Posso cuidar de tudo sozinha.
— Claro que pode — concordou Mirela. — Porém não há necessidade.
Sabendo que nada podia fazer para impedir a Salvatore, Paulina foi pegar sua bolsa para acompanha-la. Só esperava que Simon não se zangasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ensina-me
Boa noite? Cadê os outros capítulos? Já que o livro é completo....