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Ensina-me romance Capítulo 13

Com desgosto, Simon observou a pressa da governanta em sair e lamentou ter assinado o contrato. No entanto, logo relembrou seus motivos. Seria cansativo e demorado procurar outra pessoa, estava sem paciência para novas entrevistas e relegar essa função também não o agradava.

Pegou o celular, acessou a agenda e percorreu as fileiras de nomes sem grande interesse até selecionar um.

— Aqui é Simon Salvatore. Quer jantar em minha casa hoje? — soltou logo que a voz feminina foi ouvida.

~*~

Colocando a última travessa na mesa de jantar, Paulina admirou seu trabalho. Tudo estava perfeito e em uma quantidade suficiente para duas pessoas. Esperava que Simon aprovasse. Mordeu o lábio inferior duvidando de tamanha sorte. De qualquer forma, mesmo que gostasse, Simon nada falaria.

Como se seu pensamento criasse vida, ouviu a voz de Simon lhe chamando. Apressou-se a chega na sala e se surpreendeu com a visão que teve.

A visita de Simon parecia uma modelo. Possuía um rosto perfeito e maquiado, olhos claros contornados com delineador, cílios longos, boca carnuda carregada de gloss. O cabelo longo e preto chegava a sua cintura extremamente fina. O corpo magro e alto coberto por um vestido azul curto e decotado, que deixava as longas pernas à mostra.

Porém o que mais impressionou Paulina foi que a mulher estava praticamente pendurada no pescoço de Simon, beijando-o no rosto sem se importar com quem visse. Parecia querer se tornar a segunda pele do Salvatore.

— Bo-boa noite senhor Simon! — conseguiu proferir após receber um olhar irritado do Salvatore. — O jantar os espera. Podem me acompanhar?

Sem esperar resposta se virou e caminhou em direção à sala de jantar, respirando aliviada ao ouvir os passos seguindo-a.

Eles sentaram lado a lado.

Paulina os serviu e, entre um prato e outro, aguardava em silêncio atrás de Simon, reparando que somente ele comia. A mulher mal tocava na comida e Paulina podia imaginar o motivo. A fome daquela mulher era outra.

O tampo de vidro não ocultava o que uma das mãos dela fazia, subindo e descendo pela coxa de Simon, bem na sua frente, não parando nem quando Paulina se aproximava para trocar os pratos.

Queria não olhar, ignorar, mas seus olhos se moviam por conta própria naquela direção.

Simon parecia não notar o que a mulher fazia. Sua costumeira expressão indecifrável incitava a mulher a aumentar os movimentos, fazendo outros mais ousados, inclinando-se para beija-lo sem vergonha alguma.

Seus olhos se moveram para o rosto de Simon, chocando-se com as íris negras. Um calor intenso subiu ao seu rosto e, como em todas as vezes que se encaravam, suas pernas ficaram trêmulas e inexplicavelmente se sentiu sufocada perante os profundos olhos negros.

— Querido... — Ouviu a voz feminina ronronar sem conseguir desviar os olhos dos de Simon, até ele fazer isso ao se levantar.

Envergonhada, observou Simon levando a mulher em direção aos dormitórios. Ele calado, ela rindo animada.

Respirou fundo e recolheu tudo com irritação. Ela estava acostumada com pessoas comendo pouco, ou quase nada como aquela mulher, o que não conseguia suportar era o comportamento deles. Ninguém devia se atracar daquele jeito, na frente de terceiros, em uma sala de jantar, censurava mentalmente. Esses joguinhos, ou o que fosse que eles chamavam, deviam ser reservados a intimidade do quarto.

Limpou a sala de jantar e a cozinha antes de seguir para seu quarto. Tomou um banho e se trocou para dormir. Ao deitar olhou para o celular sobre o criado mudo.

Queria telefonar para Nathaniel, ouvir sua voz, porém sabia que não devia. Com certeza estaria ocupado, trabalhando até tarde na empresa ou na fábrica Muller e não gostaria de ser incomodado. O melhor era fazer o de sempre, esperar que ele telefonasse e contar os dias para o fim de semana.

Fora uma pena não tê-lo encontrado ao sair do escritório de Simon. Embora ele só a cumprimentaria rapidamente e continuaria a trabalhar, pois, não tinha dúvida alguma que ele estivera ali a trabalho. Nathaniel dedicava cada minuto de seu dia pelas empresas Muller.

Ajeitou o corpo na cama, ficando de barriga para cima e fitando o teto. Pela segunda vez naquele dia recordou a conversa que tivera anos antes com Simon.

“A zona de conforto só funciona quando não há paixão, Lina.”

Sentiu as bochechas esquentarem quando em sua mente veio à imagem das carícias feitas na sala de jantar. Incomodada, moveu o corpo, deitando de lado.

Se paixão era aquilo, podia sobreviver sem, decidiu fechando os olhos com força.

~*~

No fim de semana, habituada a acordar cedo, Paulina levantou sem a ajuda do despertador e seguiu rumo ao banheiro. A alegria irradiava por sua face enquanto escovava os dentes. Aquele dia seria especial, e não era só por ser seu dia de descanso. O motivo que a levava a sorrir bobamente para seu reflexo era o almoço na casa de Nathaniel, o anuncio do noivado.

Capítulo 13 : Zona de conforto 1

Capítulo 13 : Zona de conforto 2

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