Precisávamos pelo menos encontrar um rumo para seguir. Não sabíamos por onde começar a procurar.
— Pelo que pude ler em seu diário, podemos seguir várias linhas. Seu pai e sua mãe precisaram fugir de onde viviam. O pai de sua mãe não aceitava a relação deles, mesmo ambos afirmando serem companheiros. Por outro lado, o coven de seu pai ficou muito interessado na união deles por conta do poder que a criança gerada poderia ter.
— Não existiam crianças híbridas? — Emily perguntou, sem entender.
— Muitos tentaram criar um ser que tivesse os dois genes, o de lobo e o de feiticeiro, mas por não serem companheiros, por algum motivo, essa gestação nunca evoluía. Não posso afirmar que você seja a primeira dessa união, mas posso dizer que nunca vi alguém com tanto poder quanto o seu. — Anna explicou.
— Quando imaginamos que uma família abandonou tudo para esconder os filhos, só podemos deduzir que eles guardavam algo muito valioso, que despertaria o interesse de muitos. — Disse.
— Emily tem um poder incrível. Ela não apenas é capaz de absorver magia, mas também de conduzi-la. Se uma pessoa com más intenções a capturasse, poderia obter o poder que quisesse. — Anna esclareceu.
— Isso tudo porque a Luna nem tem conhecimento de todo seu potencial, como a própria Anna falou. Por isso, ela insiste o quanto é importante treinar Emily, Matthew, não apenas como uma loba, mas como uma feiticeira também. — Austin disse.
O potencial que Emily poderia alcançar era assustador. Começava a entender o aviso de seu pai. O motivo de estarem interessados nas crianças e o motivo de virem atrás dela caso descobrissem onde ela estava. Porém, precisávamos descobrir quem eram eles.
— Alfa, precisamos ter conhecimento de quem está vindo, só assim podemos nos preparar. Como estava falando, existem duas possibilidades: o lado materno da Luna e o coven do seu pai. Mas tudo indica ser a segunda opção. — Jacob esclareceu.
— Não sei se uma alcateia se colocaria em risco vindo até aqui, sem conhecimento. Acredito que o assunto seria resolvido de forma diplomática, como sempre resolvemos todos os problemas da matilha. Mas desconheço como um coven age. — Austin deu sua opinião.
— Dependendo do coven, eles não têm escrúpulos. Não podemos julgar todos da mesma forma, até porque não existe lealdade entre muitos de seus membros. Normalmente, não vivemos onde nascemos, escolhemos onde queremos estar. Mas posso afirmar que quando encontramos pessoas que pensam de formas idênticas a nós e firmamos um pacto de lealdade, nada o quebra. — Anna disse.
— Analisando tudo que foi dito até agora e pela orientação que meu pai deu, não acredito que sejam meus avós. — Emily concluiu.
— Penso igual à Emily. Se fosse um lobo, ele teria ciência de que poderíamos resolver isso de forma diferente. E entre nós, lobos, o laço de companheiro é sagrado. Mesmo o pai da mãe da Emily não aceitando, ele nunca tentaria contra a vida do companheiro da filha dele, sabendo que isso poderia levá-la à morte. Mas, de qualquer forma, precisamos tirar isso a limpo.
— Como você pretende fazer isso? — Emily perguntou curiosa.
— Indo até lá e conhecendo seu avô. Ele talvez possa nos dar algumas respostas. — Ela me olhou assustada com aquela ideia.
— Não podemos deixar a alcateia agora, com tudo que está acontecendo. Talvez isso seja tudo que eles precisem. — Nisso ela estava certa. Precisávamos pensar direito.
— E se, em vez de irmos, os convidássemos a vir? Poderíamos enviar um convite para eles e esclarecer que temos informações sobre uma loba daquela matilha. No mínimo, eles enviariam alguém para averiguar, o que poderia nos dar informações. — Austin sugeriu.
— É uma excelente ideia, Austin. Apenas teríamos que ter muito cuidado com tudo isso, para que eles não encarem como uma cilada. Porque no lugar de obter informações, poderíamos acabar desencadeando uma guerra entre alcateias, e já basta o que está acontecendo aqui. Ainda nem sabemos quem está por trás de tudo.
— Quanto a isso, estou suspeitando de algo e é bom que todos em quem confio estejam aqui, para que eu possa expor minhas desconfianças. Quando saímos para patrulhar alguns dias atrás, senti o cheiro do Kevin nos limites da alcateia, e também outro cheiro muito característico para mim, o do meu tio Joshua. — Disse.
— O pai de Kevin? Como? Lembro que alguns anos atrás vocês saíram em busca dele e não encontraram nenhum sinal. — Jacob perguntou.
— De alguma forma, meu tio conseguiu sobreviver todo esse tempo. No mínimo, eles são responsáveis por tudo que vem acontecendo na alcateia, inclusive com os renegados. Também acredito que se associaram a alguma feiticeira e estão se beneficiando da magia. Desconfio também que eles são responsáveis pela morte de meus pais.
— Toda magia tem uma assinatura, da mesma forma que os lobos têm cheiro. E posso afirmar que os feitiços são da mesma pessoa. — Anna explicou.
— Você consegue localizar onde eles estão se escondendo, Anna? — Perguntei em expectativa.
— Posso tentar fazer um feitiço de localização e ter uma ideia, mas à medida que fizer isso, a outra feiticeira conseguirá sentir que estou rastreando e bloquear. Mas me pergunto se a pessoa sentirá se a Emily fizer. Ela é diferente. Será que seus poderes agem também de forma diferente?
— Mas se tentássemos e falhássemos, eles saberiam que estamos tentando localizá-los. — Austin disse.
— Mas não se eu tentar de outra forma. Pegue um mapa, água e uma agulha. — Anna pediu e tudo foi providenciado rapidamente.

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