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ENTRE O AMOR E O ÓDIO romance Capítulo 211

À medida que os dias avançam, o coração de Rebecca permanece despedaçado. Agarrando-se à esperança de uma resolução, ela encontra refúgio nos raros momentos de serenidade com seus filhos no quarto hospitalar, seus momentos de paz em meio à tormenta diária. Após um mês desde o fatídico acontecimento que os submergiu em uma onda de sofrimento, Rebecca é liberada para voltar para casa. Mesmo com Alex ainda na unidade de terapia intensiva, é concedida a ela permissão para permanecer ao seu lado.

Ao adentrar o quarto e deparar-se com o homem que sempre irradiou força, agora envolto em fragilidade, ligado a uma complexa rede de aparelhos, as lágrimas fluem e ela se aproxima lentamente da cama. Sentando-se na poltrona ao lado, ela segura com ternura a mão dele, repousa a cabeça em seu peito, capturando as delicadas batidas do coração que, embora debilitado, ainda pulsa com a promessa de vida. Com a mão livre, acariciava suavemente o rosto adormecido do homem que tanto ama.

— Meu amor, posso sentir você aqui. As batidas do seu coração são como uma melodia que me envolve, um lembrete constante de que você continua aqui. Por favor, não prolongue esse sofrimento. Aprendi a lição, não me castigue mais, está doendo demais. Você prometeu que se casaria comigo novamente. Não quebrará sua promessa, não é? Venha logo, por favor, Alex. Sinto tanto a sua falta que cada segundo sem você é uma eternidade. Não me faça esperar. Volte para mim, por favor. Eu te amo, Alex. Volte para nós. Não demore, meu amor, queremos ir para casa com você. — Sussurra, lágrimas escorrendo em um fluxo incontrolável. — Posso visualizar as coisas que sonhou para nós. Vejo você no altar, com um sorriso enquanto caminho até você. Mal posso esperar para casar contigo novamente. Não desistirei de você, Sr. Baker. Sei que não vai me deixar aqui sozinha. Não importa o tempo que leve, ficarei esperando por você. Quando acordar, estarei aqui, meu amor. Você sabe que sou meio boba, farei besteiras sem você aqui para me ajudar. Então, pare com essa brincadeira e volte logo. — Murmura, levantando a cabeça e observando a fisionomia dele com uma intensidade, desejando que ele abra os olhos. — Você é o melhor homem que conheço, um marido perfeito, um pai excepcional, um amigo incrível. Tirando nossos filhos, com certeza, os demais, incluindo eu, não merecem você. Se puder me perdoar, prometo que serei melhor. Nunca expressei isso, mas sou completamente grata por todo o amor que dedicou a mim e por cada cuidado que teve comigo ao longo desses anos. Invadir o seu quarto foi a melhor decisão da minha vida. Eu te amo, Alex e sempre vou te amar. — Conclui, beijando a testa dele, imersa na esperança intensa de sua recuperação, seu coração clama por ele e ela esperará por ele, o tempo que for, na expectativa de um novo começo.

À medida que o tempo avança, a rotina de Rebecca se torna um turbilhão de emoções, dividindo-se entre Alex, os filhos e as incessantes demandas das empresas. No mínimo uma vez por semana, ela conduz os gêmeos para visitar o pai, uma tentativa de manter viva a presença dele em suas vidas. Na inocência peculiar da infância, os pequenos continuam acreditando que o pai está apenas dormindo.

Onze meses após a tragédia que os abalou profundamente, Alex permanece imerso em um sono profundo, sem nenhum sinal de despertar. Rebecca insiste em permanecer ao seu lado, alimentando a esperança de sua recuperação. Sentada junto a ele, lágrimas silenciosas percorrem suas bochechas enquanto contempla a serenidade em seu rosto. Apesar de suas tentativas de se convencer de que ele está apenas descansando, a ausência de melhorias nos exames ao longo desses meses torna-se cada vez mais difícil para ela manter a positividade.

— Meu amor, nossos bebês estão cada vez mais lindos. Olga e Nicolas Shaw Baker, registrei-os. Assim, quando nos casarmos novamente, serei a Sra. Rebecca Shaw Baker, honrando a minha promessa e você ainda poderá me chamar de Sra. Baker. — Afirma, segurando a mão dele com ternura, enquanto acaricia o seu rosto, sentindo a textura da pele sob seus dedos. — Você tinha razão, eles têm a sua personalidade e isso me ajuda a me manter viva, porque vejo você através deles. Isso não foi um azar, foi um alívio. Poder ficar aqui do teu lado me acalma, mas sinto falta do teu sorriso, dos teus toques, dos teus sermões intermináveis. Acho que você já descansou demais. Está na hora de acordar, Alex, não acha? — Indaga, seus olhos ansiosos buscando por uma resposta. — Lembro-me quando você pegava a minha mão, entrelaçando os nossos dedos, quando você a beijava. Lembro do seu toque carinhoso. E agora, estou aqui segurando a sua mão e você não responde aos meus toques. Mas não desistirei. Vou te esperar, meu amor. Sei que você voltará para mim. — As lágrimas escorrem de seus olhos, como gotas de pura emoção. — Está um vazio muito grande sem você aqui. Eu te amo, Sr. Baker, e não te dou permissão para partir. Diga que você entendeu? — Pergunta, o encarando com um olhar que busca desesperadamente por qualquer sinal de resposta. — Nós prometemos, lembra? Ninguém mais estragaria o nosso amor. Então, volte, Alex. Eu não aguento mais esperar. Você é um homem que nunca perde, então, por favor, não deixe isso acontecer agora. Não a deixe ganhar. Volte para nós, para sua família. Não sei viver sem você. Estou perdida. Preciso de você. Por favor, não me deixe aqui sozinha. — Implora, com as lágrimas escorrendo, deitando a cabeça no peito dele, para que as batidas de seu coração a acalmem.

A poucos dias de completar um ano desde o coma que aprisiona Alex, Rebecca invade a mansão da família Shaw, Maria a seguindo de perto. Com um papel amassado e trêmulo em suas mãos, onde parece concentrar toda a raiva que a consome, Rebecca encara Ana com olhos flamejantes, a fúria pulsando em cada batida de seu coração.

— Maria, por favor, leve os meus filhos para o carro. — Pede Rebecca, sua voz firme, mas carregada de uma intensidade inegável, como se estivesse segurando um vulcão prestes a entrar em erupção.

— Claro. Meus amores, vamos? — Chama pelos gêmeos, que correm animados até ela.

— Rebecca, o que você está fazendo? — Pergunta Ana, confusa, ao ver Maria saindo de mãos dadas com os gêmeos.

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