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ENTRE O AMOR E O ÓDIO romance Capítulo 212

Após o confronto, Rebecca tentou reverter a decisão da justiça, mas foi derrotada em todas as instâncias. Seu coração afundou na amargura e a tristeza a envolveu como uma sombra. O ódio tornou-se seu sórdido companheiro, levando-a a restringir severamente o contato dos gêmeos com a família de Alex. Ela sabia que não deveria envolver as crianças nesse assunto, mas queria que Ana e os outros sentissem o sofrimento que ela estava sentindo. Nesse período sombrio, Rebecca dedicou-se integralmente a Alex, valorizando cada minuto ao lado dele. As palavras de Ana ecoavam incessantemente em sua mente, principalmente quando via os filhos apenas durante as visitas orquestradas por Maria.

À medida que os dias avançavam, seu coração parecia despedaçar-se um pouco mais a cada momento. Em janeiro, no dia do aniversário de Alex, ela está no quarto com os filhos. Mesmo que Alex não responda, eles entoam um emocionado, “parabéns”, enquanto lágrimas escorrem nos olhos de Rebecca.

— Mamãe, o papai não vai comer o bolo? — Pergunta Olga, com sua inocência.

— Mais tarde, meu amor. O papai está cansado. É por isso que ele continua dormindo. — Responde, envolvendo a filha em um abraço terno.

— Vamos acordá-lo, mamãe. — Balbucia Nicolas e nesse instante, o pranto de Rebecca se intensifica.

— A mamãe já tentou, mas ele pediu para descansar um pouco mais. — Sussurra, com os dois filhos apertados em seus braços, uma tentativa de protegê-los da cruel realidade que paira sobre a família.

Ao cair da noite, Rebecca conduz seus filhos para casa e se entrega a um longo banho, tentando recobrar as forças perdidas. Ao emergir, veste um longo vestido branco, mascarando as olheiras com maquiagem e prendendo os cabelos em um coque simples. Retorna ao hospital com o peso da dor repousando pesadamente em seus ombros. Ao adentrar o quarto de Alex, ela caminha com uma elegância marcante em sua direção, como se estivesse atravessando um altar, um corredor solene rumo aos braços do homem que ama. Um sorriso triste ilumina seu rosto enquanto ela se senta diante dele, segurando sua mão com ternura e acariciando delicadamente o rosto dele. O ambiente está impregnado de uma tristeza profunda.

— Não sei por onde começar. Deixei nossos filhos em casa, consciente de que este foi o último, “parabéns” que entoamos para você. Juro que tento manter a esperança, mas o avanço do tempo parece arrastar consigo todas as possibilidades. Em poucos dias, serei obrigada a testemunhar o desligar dos aparelhos, uma escolha que deveria ter sido sua, um direito roubado. Não te deram a chance de decidir quando partir. — Sussurra, apertando firme a mão dele, ansiando sentir os dedos dele entrelaçado aos seus, como costumavam fazer. — Hoje, num dia tão especial, escolhi te dar a permissão para partir. Me desculpe por não permitir isso antes, mas acreditar que um dia você acordaria era suficiente para mim. Sei que é o seu aniversário, mas adoraria ser presenteada com você abrindo os olhos. Por favor, Alex, olhe para mim. Estou aqui, te implorando, não me deixe. — Implora, deitando a cabeça em seu peito, ouvindo as batidas de seu coração. — Me desculpe por falhar até nisso, por não conseguir evitar que decidissem por você. — Sussurra, acariciando com ternura a mão dele. — Meu amor, estou aqui vestida de branco, segurando sua mão, ouvindo seu coração, fazendo meus votos de amor. Em minha mente, estou caminhando pelo altar, recebendo seu olhar de admiração, enquanto você sorri emocionado, prestes a concluirmos nossa união. Uma união que não pode mais ser física, mas será uma união de almas, pois hoje eu te entrego a minha, te amarei pela eternidade. Realizarei com nossos filhos todos os sonhos que sonhamos juntos. Viverei por eles e quando não precisarem mais de mim, irei ao seu encontro. Minha vida nunca mais será a mesma, sempre terá o vazio que sua partida deixará. Assim como a Angel, levará consigo uma parte do meu coração, um coração que baterá por você até o dia da minha própria morte. — Sussurra, erguendo a cabeça para observá-lo. — Você continua lindo. Foi o melhor homem que já conheci. Serei eternamente grata por tudo que fez por mim. Obrigada por ter me dado seu coração e por ter me amado incondicionalmente por tantos anos, mesmo quando eu não merecia. Você é o amor da minha vida e será em todas as outras vidas. Prometo que ficarei bem, meu amor. Sei que é uma despedida, mas quero que parta com a certeza de que levarei comigo as memórias dos dias felizes. Você foi meu porto seguro, meu confidente e o amor da minha vida. Quero que saiba que sempre carregarei comigo as lembranças do nosso amor. Não é um adeus definitivo, mas sim um “até logo”, eu te amo, Sr. Baker. — Conclui, selando suas palavras com um beijo na bochecha dele, enquanto as lágrimas descem de seus olhos, um tributo ao amor que se despede.

Rebecca deita-se ao lado dele, a cabeça descansando com leveza em seu peito. Lágrimas traçam caminhos pelo seu rosto, enquanto ela se entrega a soluços, afogando a noite que deveria ser de alegria em uma tristeza profunda que envolve sua alma. Com o clarear do dia, Richard adentra o quarto, deparando-se com Rebecca adormecida ao lado de Alex. Seus olhos percorrem as vestes dela, convencendo-se de que ela adormeceu, principalmente ao notar que nem mesmo retirou os saltos. Aproximando-se com cuidado, ele a desperta delicadamente.

— O que aconteceu? — questiona, ao abrir os olhos.

— Você está bem? — pergunta, mesmo já conhecendo a resposta.

— Sim, estou bem. — Responde, desviando o olhar para Alex. Com delicadeza, desliza os dedos pelo rosto dele e deposita um beijo suave em sua bochecha. — O que você precisa?

— Estou aqui para o monitoramento de rotina. — Responde, seus olhos percorrendo os aparelhos com atenção.

— Você compartilha da opinião de que ele nunca vai melhorar? — Indaga, acomodando-se na beira da cama.

— Rebecca, minha resposta é moldada pelo ponto de vista médico. Claro que desejaria vê-lo acordar, mas parece uma possibilidade remota. — Afirma, sua voz carregada de pesar.

— Nada é impossível. Você está sendo tão desesperançoso quanto a Sra. Shaw. — Declara Rebecca, abandonando a cama e atravessando a porta do quarto. Richard a segue, segurando-a pelo braço. — Me solte, eu te odeio.

Capítulo 212 – Meus votos de amor 1

Capítulo 212 – Meus votos de amor 2

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