Entrar Via

Esmeralda, a Luna Humana romance Capítulo 2

Vinte e seis anos depois…

— Acorda, preguiçosa! Mulher casada não dorme até essa hora não!

“Bom dia, flor do dia!” Era a frase que a minha mãe usava para me despertar todas as manhãs antes de ir à escola.

Quando foi que a minha vida mudou tanto? E para pior…

— Eu, na sua idade, acordava antes do sol nascer para preparar o café da manhã dos meus sogros!

“Blá, blá, blá! Quem liga para como você tratava os seus sogros, sua megera?”

Pensei, ao jogar o cobertor para o lado e me levantar. Infelizmente, não tinha coragem de falar esse tipo de coisa para a minha sogra na cara dela. Não desejava outra punição do meu marido por desrespeitá-la.

Tomei um banho para despertar o meu corpo para os desafios do meu sério dia de mulher casada.

O meu chamado marido saiu bem cedo pela manhã para administrar a fazenda, deixando para trás o meu corpo dolorido por mais uma noite em que ele fez o possível para me engravidar.

Olhei-me no espelho, para ajeitar o hijab, e saí do quarto em direção à cozinha. A minha sogra estava separando as folhas que usaria para preparar molho de menta e levantou a cabeça ao me ouvir chegar. Ela revirou os olhos e fez cara de nojo ao ver-me, como de costume.

— Esmeralda, por que demorou tanto para levantar? Sua inútil, preguiçosa!

— Não estou me sentindo bem, o seu filho mal me deixou dormir a noite e o meu corpo está dolorido.

Revelei o que poderia ter sido deixado em segredo entre o meu esposo e eu porque esse tipo de coisa sempre a fazia inflar o peito de orgulho do filho “viril” e diminuia sua animosidade contra mim.

— O meu filho é um homem saudável e vigoroso, e quer ter um filho, que você insiste em falhar em produzir! É a sua obrigação de esposa servi-lo! Onde o meu filho estava com a cabeça quando te comprou?

Odeio quando ela j**a na minha cara que fui comprada, mas de certa forma, ela não estava errada. Após a morte da minha mãe, meu pai casou-se novamente com uma mulher pouco mais velha do que eu. Para poder se exibir com uma esposa tão bonita e jovem, o meu não tão dedicado pai gasta mais do que ganha na empresa onde trabalha, contraindo muitas dívidas. O seu principal credor era Amir Ashtar, o filho mais velho da mais rica família da nossa cidade.

Amir, administrador dos bens da família aos trinta e oito anos e ainda solteiro, foi cobrar o meu pai, que devia uma quantidade absurda de dinheiro a ele, e foi aí que entrei na equação.

Trinta e oito anos, solteiro, precisava de esposa e filhos para perpetuar a linhagem de seu nome. Quando servi chá a ele, que estava sentado como um paxá na nossa poltrona, a proposta saiu da sua boca como a coisa mais natural do mundo:

“ Me entregue a sua filha em casamento e perdoarei a sua dívida”

A minha madrasta só faltou soltar fogos, o meu pai tagarelou elogios em agradecimento, e eu não tive escolha. No mês seguinte, em meio a lágrimas de desespero, tive que dizer três vezes que aceitava Amir como esposo diante do Imã, na Mesquita.

Não sou e nunca serei um casulo para criar filho de homem escroto nenhum!

Quer saber de uma coisa? O que está ruim, sempre pode piorar.

Com duas semanas de casada, meu sogro faleceu e minha “bendita” sogra veio morar em nossa casa. De uma esposa negligenciada e desprezada, me tornei a esposa e nora maltratada e humilhada.

A primeira vez que Amir levantou a mão para mim, foi para agradar à mãezinha dele. Aquela megera desgraçada derramou chá quente no próprio pulso e mentiu dizendo que eu a queimei de propósito, apenas para me provar que quem mandava na casa agora era ela.

Ele acreditou, deu-me uma bofetada e me colocou de castigo no quarto por dias.

No terceiro dia do meu castigo, ele repetiu o ato de todas as noites desde que nos casamos, mas dessa vez, deitou-me de bruços. Disse no meu ouvido, quando me invadia por trás, que não queria ver o meu rosto, pois uma esposa desobediente como eu o enojava.

Doeu muito, sempre dói quando ele me usa. Ele diz que é assim mesmo, que uma boa mulher, serva de Allah, não sente prazer durante o sexo, o prazer é para os homens.

Odeio quando ele e a sua mãe usam o nome de Deus para propagar as suas mentiras e deturpações. Nenhum deus digno compactuaria com a maneira em que me tratam.

Mas Allah vai-me ajudar a mostrar-lhes que essa vida não é o plano dEle para mim!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Esmeralda, a Luna Humana