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Esposa por contrato romance Capítulo 145

POV CELESTE

—Você não pode mais ver o Wade — disse o Sr. Gomez, irritado.

—Não! Ele é meu filho...

—Você o entregou, lembra? Já não é mais a mãe dele!

—Por favor, não faz isso comigo... Eu imploro. Preciso vê-lo... — Chorei com tanta força que me ajoelhei diante do Sr. Gomez, agarrando a borda da sua camisa.

Ele afastou minhas mãos, deu um passo para trás e olhou para o carro.

Segui o olhar dele e vi Wade dentro do carro, no banco de trás. Ele chorava e me encarava. Estava dizendo algo, mas não consegui ouvir, pois os vidros estavam fechados. Tentei ler seus lábios, mas não entendi.

O que ele está dizendo? E por que está chorando?

—Você não vai levar o Wade. Ele é nosso filho!

Olhei novamente para o Sr. Gomez.

—Eu não quero tirá-lo de vocês. Por favor... Só quero passar um tempo com ele.

—Fique longe dele! Você está atrapalhando minha família. Agora ele tem uma nova vida, com a gente.

O Sr. Gomez entrou no carro e eu aproveitei para puxar a maçaneta da porta para tirar o Wade. Mas estava trancada. Estava desesperada e minhas mãos já doíam de tanto tentar abrir.

—Abre a porta, Wade, vamos, aperta o botão... por favor... meu bebê.

Mas Wade chorava ainda mais alto. Entendi. Ele dizia: mamãe. Socorro. Socorro, mamãe.

Ele estava pedindo ajuda. Tentei ler seus lábios de novo, mas não consegui entender o resto da frase. Então ele olhou para a Sra. Gomez, que estava sentada ao lado do Sr. Gomez no banco da frente, dormindo. Me perguntei por que ela não percebia o que estava acontecendo dentro do carro.

O Sr. Gomez ligou o carro e eu bati nos vidros com tanta força que minhas mãos começaram a doer. Eu estava desesperada, mas não conseguia quebrar o vidro.

O carro começou a se mover. Agora consegui ouvir Wade dizendo com clareza:

—Mamãe... ajuda, mamãe... ajuda... — Ele conseguiu abrir o vidro e esticou os braços em minha direção. Mas o carro ganhava velocidade, e só consegui tocar a ponta dos dedos dele.

—Não... não... não... Wade... — Corri mais rápido, tentando alcançar as mãos de Wade. Mas não conseguia acompanhar o carro, que logo desapareceu da minha vista.

Chorei miseravelmente, me sentindo derrotada e sozinha em uma estrada escura e solitária. Gritei o nome de Wade até acordar.

Oh, Deus... Continuei chorando. Toquei meus olhos e senti minhas lágrimas. Estava soluçando e com dificuldade para respirar, então inspirei fundo, tentando acalmar meus nervos.

Meu sonho parecia tão real. Algo está acontecendo com Wade. No sonho ele chorava e pedia ajuda. Sinto que algo está errado... mas foi só um sonho.

Olhei para o lado da cama de Eros. Estava vazio. Depois olhei o relógio na parede. Já eram 8:30 da manhã. Sabia que ele estava no quintal, cuidando do jardim de novo. Ele fazia isso toda manhã, quando estávamos aqui na Geórgia.

Eu me sentia tão cansada. O sonho me deixou exausta. Fiquei deitada por mais um tempo, acariciando minha barriga, que já estava bem grande. Então senti meu bebê se mexer.

—Shhh... Tá tudo bem, amor... Vai ficar tudo bem. — Pensava em Wade e no sonho. Foi só um sonho, pelo amor de Deus, não é real. Eu não deveria pensar tanto nisso. Mas não conseguia evitar. Lá no fundo, eu estava preocupada.

Depois de dez minutos, levantei e fui até a varanda. Vi meu marido, Eros, ocupado com o jardim.

Meu Deus! Ele estava plantando arbustos.

Meu coração se encheu de alegria. De onde saíram tantos arbustos? Já tinha coberto metade do terreno com eles.

Eu pensava em flores lindas... rosas, margaridas, tulipas, lírios e poinsétias... tantas flores de diferentes cores como um arco-íris... mas as minhas favoritas eram as rosas.

De repente, me senti tão tomada pela felicidade que esqueci do sonho.

Eros me fazia tão feliz. Me sentia tão amada por ele... e eu o amava com todo o meu coração.

O rosto de Eros estava avermelhado, assim como os braços. Parte da camisa branca estava encharcada de suor. Seu cabelo escuro até brilhava sob o sol. Parecia tão forte com aquele físico robusto e masculino, trabalhando ali, cavando a terra, com as mãos enluvadas e as botas cheias de barro.

Queria ir até ele, onde ele estava... levar água e uma toalha. Enxugar seu suor, abraçá-lo e beijá-lo, mostrar quanto o amava e que valorizava seus esforços para cuidar do nosso jardim.

Mas não me era permitido ir ao quintal. O chão estava escorregadio e era perigoso demais para mim, grávida.

*

POV EROS

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