POV CELESTE
—Wade? —Olhei para Eros. Ele estava tão surpreso quanto eu—. O Wade está aqui?
—Sim, senhora. Ele está com o Sr. Harrison —respondeu Mary, e depois se desculpou.
Não conseguia acreditar no que tinha ouvido. Me sentia tomada pela felicidade.
—Querido... —Levantei da cadeira imediatamente e corri até Eros, que estava perto da porta. Eros me abraçou e me conduziu até as escadas.
—Achei que eles estavam em Atlanta para um casamento.
—Talvez tenham voltado antes —Os olhos de Eros brilhavam de alegria. Ele me abraçava enquanto descíamos as escadas.
Wade estava fora do saguão com Harrison.
Meu coração disparou no instante em que o vi. Eu não conseguia explicar o que sentia. Uma mistura de felicidade extrema e, ainda assim, tristeza.
Wade estava sentado em um tijolo com a cabeça baixa. Suas pequenas mãos cobriam o rosto. Parecia estar chorando. Por quê?
—Wade!
O rosto de Wade se iluminou. Eu estava certa, ele estava chorando. Seu rosto estava coberto de lágrimas e me doeu vê-lo tão triste.
—Mamãe. —A voz de Wade tremia.
—Oh... meu bebê. —Corri até ele. Me ajoelhei à sua frente e o abracei.
Eros veio atrás. Depois nos envolveu, a Wade e a mim, em seus braços. Não consegui evitar, chorei também, de tanta felicidade. Estávamos juntos de novo.
Eros beijou minha têmpora e depois beijou a cabeça de Wade. Sabia que ele também estava tomado pela emoção. Vi as lágrimas se formando em seus olhos. Ele era durão, mas seu coração amolecia com quem ele amava.
Finalmente estávamos vendo Wade de novo: podíamos pegá-lo no colo... beijá-lo... falar com ele... e passar tempo com ele novamente. Estávamos radiantes.
—O Sr. Gomez o deixou na porta —disse Harrison atrás de nós. —Perguntei o que o fez mudar de ideia, mas ele disse que não tinha tempo para conversar, que estava com pressa.
—O que houve? É alguma emergência? —Eros se levantou e se virou para Harrison.
—Acho que não. Ele não mencionou nenhuma emergência. Mas disse que Wade ainda não comeu e que pode passar a noite com vocês.
—Sério? —Parecia um milagre. Imediatamente lembrei do meu sonho naquela manhã. O sonho era o oposto da realidade.
—Sim, foi o que ele disse antes de ir embora.
—Vou ligar para ele mais tarde —disse Eros para Harrison. —Quero saber o que está acontecendo.
Continuei abraçando Wade, com medo de soltá-lo. E se tudo isso fosse apenas um sonho? E se, ao piscar os olhos, ele não estivesse mais ali? Eu senti tanta falta dele... do meu bebê.
—Não faça drama, querido. Tenho certeza de que ele só queria que passássemos um tempo com Wade. Já faz tanto tempo.
Eros me olhou. Dava para ver que algo se passava em sua cabeça: ele suspeitava das intenções do Sr. Gomez ao deixar Wade conosco.
Ele balançou a cabeça e se ajoelhou ao nosso lado. Passou a mão pela cabeça de Wade, depois pelas costas, e voltou a beijar a cabeça do nosso filho.
—Por que está chorando, hein? Vem cá —perguntou Eros, abraçando Wade. —O que foi? Está com fome? —Eros se levantou com Wade nos braços. Depois esticou o outro braço para me ajudar a levantar.
—Acho que ele está com medo de entrar na casa —disse Harrison—. Eu disse que essa é a nova casa de vocês. O pai dele, Eros, comprou. Mas ele não acreditou.
—Você ficou com medo? —Eros perguntou a Wade. Mas ele não respondeu. Seus olhos vagavam para todo lado.
—Oh, meu menininho lindo. É a primeira vez dele aqui —Beijei a mão de Wade, mas logo limpei a boca ao sentir algo ruim... percebi que sua mão estava suja de barro. Meu Deus, onde ele se sujou assim? Notei que sua camisa e jeans estavam gastos, e seus sapatos velhos estavam cheios de lama.
—Preciso ir —disse Harrison, olhando o relógio.
—Por que não janta conosco, Harrison?
—Não, obrigado, Celeste. Tenho que voar para Nova York em breve. Vou jantar com sua mãe.
—Oh, ótimo. Mande lembranças minhas.
—Mandarei —disse Harrison e foi embora.
*
—Acho que ele precisa de um banho antes do jantar —disse a Eros.
—Ele pode tomar depois, querida. Estamos com fome, né, campeão?
—Sim.
—Não, não faça isso, amor, você está grávida. Ele está pesado demais para você —Eros balançou a cabeça, desaprovando. Pegou Wade no colo até a pia e abriu a torneira.
Coloquei sabonete líquido nas mãos de Wade e esfreguei. Mas ele afastou as mãos.
—Eu sei lavar as mãos, mamãe.
Fiquei surpresa. Ele não parecia precisar da minha ajuda. Olhei para Eros, que apenas deu de ombros.
—Ele já está crescidinho, mamãe —Eros imitou Wade dizendo “mamãe” e depois me beijou nos lábios.
Entreguei a Wade uma toalha de papel quando Eros o colocou no chão. Ele deu conta de limpar as mãos, os braços e o rosto.
Wade era cheio de surpresas. Havia tantas coisas que eu não sabia sobre ele. Como mãe biológica, perdi seus anos de crescimento. Perdi sua primeira risada, sua primeira palavra, seu primeiro passo... tudo.
Wade rezava antes de comer. Pegava sua própria comida e comia em silêncio. Quando perguntávamos algo, ele apenas nos encarava e respondia com uma palavra. Não falava com a boca cheia. Era muito educado e sabia se comportar à mesa. Posso dizer que os Gomez o criaram muito bem.
Eros, por outro lado, parecia se divertir muito. Suas expressões eram engraçadas e às vezes ele murmurava coisas como “eu te disse” quando Wade não estava olhando. Ele estava tão orgulhoso do filho, dava pra ver nos olhos.
—Mais tarde vou te mostrar um truque de mágica, filho.
—Siiiim... Eu gosto de mágica —respondeu Wade.
—Sério? —perguntei a Eros. Não sabia que ele sabia fazer mágica.

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