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Esposa por contrato romance Capítulo 149

POV EROS

Hospital…

Uma enfermeira me indicou o quarto da Sra. Gomez. Ela bateu na porta antes de abri-la.

Pude ver a surpresa no rosto do Sr. Gomez no momento em que me viu. Ele estava sentado numa cadeira perto da cama onde sua esposa dormia.

Ele se levantou e pediu para a enfermeira ficar de olho na esposa por um tempo. Me levou para fora do quarto e me convidou a sentar ao lado dele em uma das cadeiras de aço.

— Há quanto tempo ela está lutando contra isso?

— Um ano. Ela fez uma mastectomia há seis meses. Achamos que ficaria tudo bem, mas virou metástase. As células cancerígenas se espalharam para os órgãos vitais.

Meu Deus. Seis meses atrás foi quando dei o dinheiro. Provavelmente ela usou para a cirurgia.

— Sinto muito. O que o médico disse? Há alguma chance de recuperação rápida?

Ele levou a mão à boca. Pude ver que tentava se controlar para não desmoronar. Depois balançou a cabeça lentamente.

— Não, e acho que ela não vai se recuperar — disse ele, com a voz embargada antes de começar a chorar.

— O quê? — Me levantei e respirei fundo. Eu não aguentava ver um homem chorar. A dor e o sofrimento eram tão reais, como chegar a um beco sem saída — toda esperança e oportunidade tinham sumido. — Sei que muitas mulheres sobrevivem ao câncer de mama.

— Sim. O diagnóstico precoce pode ajudar a paciente a sobreviver. Mas ela descobriu tarde demais. Já estava no estágio quatro quando foi diagnosticada. Os médicos não podem fazer mais nada. Aconselharam que ela voltasse para casa.

— Voltar pra casa pra sofrer? Ela precisa de cuidados médicos.

Ele assentiu. Esfregava a cabeça com as mãos.

— Já não há mais nada que eu possa fazer. Eu falhei como homem... Falhei como marido. Eu a amo tanto. Perguntei a Deus várias vezes, por que ela? Ela é uma boa mulher, sempre foi muito gentil, carinhosa e atenciosa comigo e com Wade... com a família e os amigos. Ajudou muita gente da nossa Igreja e... é muito religiosa... Por que ela tem câncer? Por que não as mulheres promíscuas, adúlteras ou usuárias de drogas?

— Pode ser por causa de genes defeituosos também.

— Foi o que o médico disse. A tia dela morreu de câncer de mama há dez anos e a prima também, no ano passado —. Ele enxugou as lágrimas, mas elas continuavam escorrendo pelas bochechas. — Preferia morrer agora do que perdê-la.

Era muito difícil ver um homem tão abalado, desmoronando e perdendo a compostura. Eu não sabia como consolá-lo. Mas eu sentia sua dor e não queria viver a mesma dor que ele estava sentindo.

Me imaginei no lugar dele. Droga. Eu não deixaria a Celeste ficar doente. Não queria que ela adoecesse. Não deixaria nada acontecer com ela. Ela é a minha vida e eu também morreria sem ela.

— Você não vai perdê-la. Arrisque. Eu vou te ajudar no que for preciso — falei firme. — Vamos levá-la para o Texas, onde está o melhor hospital de pesquisa sobre câncer. Ela será cuidada por médicos especialistas em câncer de mama.

— Mas... — ele se levantou. Pude ver seu rosto iluminado, cheio de esperança.

— Confia em mim. Arrisque.

— Vou perguntar a ela primeiro. Ela já desistiu e não quer mais tratamento. Sofreu demais e só confia nas doses altas de analgésico que aplicam nela.

Isso explicava por que Wade ficava cutucando Celeste com uma caneta toda vez que ela tinha cãibras nas pernas. Ele achava que isso aliviaria a dor, como os remédios da Sra. Gomez.

Voltamos ao quarto. Ela já estava acordada. Sorriu ao me ver.

Me aproximei e apertei sua mão.

— Sr. Pedrosa.

— Calma.

— Como está o Wade? — perguntou, com lágrimas nos olhos.

— Ele está bem. Muito bem. Tem um cachorro novo. Chamou ele de Marsh.

— Ah... Sinto falta do meu menino. Mas não quero que ele me veja assim. Fica triste em me ver sofrendo.

— Eu sei. Eu sei. — Assenti. — Estou aqui para te ajudar a melhorar.

— Eu estou morrendo, Sr. Pedrosa. Meus médicos já fizeram tudo o que podiam...

— Eu sei o que eles disseram. Ele me contou. Mas, pelo bem dele e do Wade, que te amam tanto, você precisa melhorar. Você não quer ver o Wade já crescido?

— Claro que sim.

— Você tem que ser forte e corajosa pra vencer essa doença. Não desista, porque você ainda está viva. Lute pela sua vida e agarre essa pequena esperança. Tenha confiança. Você não pode vencer se não arriscar. Então, deixa eu te ajudar.

Ela chorou, colocando todas as emoções pra fora. Depois de alguns minutos, quando se acalmou, assentiu.

Naquela tarde, chegou um avião particular com médicos especializados e uma equipe médica. Eles cuidaram da Sra. Gomez e a prepararam para a transferência ao Texas, onde fariam tudo ao alcance para ajudá-la a sobreviver à doença.

*

POV CELESTE

Agora me sinto muito pesada. Minha barriga cresce mais a cada dia e eu adoro comer... de tudo.

Estávamos tomando café da manhã e todos os meus alimentos favoritos estavam na mesa: bacon, guiozas, cereais, asinhas de frango com pimenta, panquecas, torta de queijo com mirtilo, ramen, sorvete, refrigerante e café.

— Nem pensar — Eros tirou o refrigerante e o café de perto de mim. — Isso não faz bem pra você nem pro bebê.

— Amor, por favor. Só um golinho.

Eros balançou a cabeça e tomou meu café.

Eu fiz biquinho e ele piscou pra mim. Ontem à noite fizemos amor no quarto de hóspedes. Não queríamos correr o risco de Wade nos pegar de novo. Lembrei da última vez em que ficamos congelados na frente dele. Fingimos que estávamos brincando de esconde-esconde. Foi muito constrangedor, porque ele quis brincar também. Pegou o cobertor e se enfiou no meio. Acabamos realmente brincando de esconde-esconde.

— Mamãe, posso pegar um desses? — disse Wade, apontando para o California maki. Voltei ao presente.

— Claro —. Coloquei o prato com os makis perto do prato dele e olhei novamente para Eros. — A que horas vamos para a casa do papai?

Era o aniversário de 55 anos de Markos Pedrosa, meu sogro.

— Vamos sair às seis e meia. Você sabe que ele não tolera atrasos. Não queremos deixá-lo bravo no aniversário.

— Ih, ainda tá de mau humor?

— Sim. Mamãe ligou cedo hoje. Eles vão ao hospital. Papai teve uma crise de ansiedade, acha que está morrendo.

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