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Esposa por contrato romance Capítulo 152

POV CELESTE

—O que aconteceu com seu olho? — Me surpreendi ao ver o olho direito de Wade tão vermelho. Ele estava com a roupa suja e o cabelo bagunçado.

Eu estava na cozinha experimentando uma nova receita quando ele entrou pela porta, segurando seu skate.

—Não é nada, mãe — disse ele, e saiu correndo da cozinha.

—Ei! Nada disso. Volta aqui — gritei.

Ele voltou, encolhido. Estava com a cabeça baixa e evitava me encarar.

Sequei as mãos e fui até ele. Levantei seu queixo e examinei seu rosto. O olho direito estava vermelho e a pele ao redor estava roxa, ficando cada vez mais escura.

—Você está com um olho roxo!

Ele afastou o rosto das minhas mãos e se distanciou.

—Não é nada, mãe — disse, me lançando um olhar de cachorrinho, o que me deixou com pena. —Nem está doendo.

—Sério mesmo, superman? Vem aqui, vamos colocar gelo nesse olho.

Ele se sentou em um banquinho e esperou.

—Quem fez isso com você?

Ele não respondeu e continuou evitando meu olhar.

—Wade. Quem fez isso com você? — perguntei de novo. Tinha certeza de que ele tinha brigado com os meninos da vizinhança, e isso era bem preocupante. Deixávamos ele andar pelo bairro porque era o mais seguro de Nova York. Havia guardas e câmeras por todo lado. Ele tinha dez anos e precisava de um pouco de liberdade pra crescer.

—Ninguém, mãe.

—Como assim ninguém? Você não leva um soco no olho se ninguém te bateu.

—Você vai contar pro pai? — disse ele, nervoso.

Suspirei.

—Claro. Ele precisa saber.

—Ele vai ficar bravo — disse, com o rosto cheio de preocupação.

—Não. Ele não vai ficar bravo. Seu pai é o homem mais compreensivo.

—Espero que sim.

—Então, quem fez isso?

—Ninguém. —Deu de ombros e desviou o olhar de novo. —Eu bati numa árvore.

Estava mentindo.

*

Eros chegou naquela noite exausto. Tinha tido um dia cheio. Estávamos sentados à mesa prontos pra jantar.

—Hmm… isso parece delicioso. Receita nova, amor? — disse ele, me olhando com brilho nos olhos.

—Sim.

—O cheiro me deu fome.

—Pra mim também! — disse Esmeralda, tentando chamar nossa atenção.

O sorriso de Eros sumiu de repente.

—Onde está o Wade?

—Ahm… está no quarto. Disse que não estava com fome — respondi.

—Está doente?

—Não.

O rosto de Eros mudou. Ficou sério, os olhos endureceram e ele apoiou as mãos na mesa. Eu conhecia bem aquela expressão. Ele fazia isso quando algo o incomodava.

—Temos uma regra: comemos juntos — disse.

—E comemos legumes! — gritou Esmeralda.

—Sim, querida — respondeu Eros, voltando o olhar pra mim. —O que ele fez dessa vez?

—Te conto depois do jantar, tá bom?

Ele soltou um suspiro forte.

—Não. Manda ele descer ou eu mesmo vou buscá-lo.

—Amor, deixa ele. Ele está mal agora.

—Tô falando sério — disse Eros.

—Eu também!

—Ih... estão brigando? — perguntou Esmeralda, com os olhos arregalados.

—NÃO — respondemos juntos.

—É por causa do olho roxo do Wade? — disse Esmeralda inocente.

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