POV EROS
Cheguei em casa depois de visitar um cliente importante da Alemanha. Normalmente, eu não trabalhava aos sábados, mas o Sr. Vogel partiria amanhã, então precisávamos fechar o acordo hoje. Nossa reunião de duas horas se estendeu para seis, discutindo e revisando o plano de negócios.
Fiquei surpreso ao ver uma Ferrari vermelha na nossa entrada. Na verdade, fiquei impressionado. Era o modelo mais novo dos supercarros da Ferrari. Já fazia um mês que eu pensava em comprar aquele carro. Mas como estava sempre ocupado, deixava esse desejo de lado.
Fiquei imaginando quem seria o visitante. Talvez meu primo Kriss.
Ouvi risadas. As risadas de Celeste e Lillian. Depois a voz aguda de Esmeralda, seguida por uma voz masculina e grave.
Não. Esse não é o Kriss.
Abri a porta, animado para me juntar à diversão. Depois de um dia longo de trabalho, eu precisava relaxar e aproveitar. Era sábado e as crianças podiam dormir mais tarde.
As risadas ficaram mais altas quando entrei. Era como música para os meus ouvidos e meu humor melhorou na hora. Fiquei feliz em ver minha família feliz.
Quem quer que fosse o visitante, devia ser alguém muito próximo da família. Talvez eu abrisse uma das garrafas da minha coleção de vinhos envelhecidos esta noite.
Fiquei paralisado na entrada da sala assim que vi o homem sentado entre Wade e Esmeralda. O Dr. Theodore. Meu inimigo mortal.
Meu humor mudou imediatamente para raiva.
O que ele está fazendo aqui?
Todos ficaram em silêncio e me encararam, especialmente Celeste, que arregalou os olhos ao ver minha reação. Eu conhecia aquele olhar. Ela me repreendia, pedia para eu me comportar e implorava para eu não fazer nenhuma besteira naquele momento. Era o mesmo olhar que lançava para nossos filhos — e agora estava me direcionando a ele.
Droga! Ela espera que eu fique calmo depois de ver esse médico maluco? O que ele está fazendo aqui? Por que não deixa Celeste em paz?
— Pai! — gritou Esmeralda, correndo até mim. Peguei-a no colo e lhe dei um beijo, desviando minha atenção e ao mesmo tempo escondendo minha raiva.
— Olha o que eu ganhei! O tio Theodore me deu um kit de médico, papai. E também deu um livro para o Wade.
Tio Theodore! Que diabos! Agora ele age como um tio ressuscitado e dá presentes para meus filhos! Não posso permitir isso. E por que Celeste deixou isso acontecer? Ela sabia o quanto eu odiava até a menção do nome dele, imagine vê-lo dentro da minha própria casa.
— Oi, amor. Como foi o trabalho? — Celeste se levantou e veio até mim. Ficou na ponta dos pés e me beijou na bochecha. Na bochecha. Porra! Normalmente ela me beijava na boca, e agora, com esse médico anormal aqui, me beija na bochecha!
— Foi bom — murmurei, rangendo os dentes para conter minha raiva.
— Lembra do Theodore? — disse Celeste. De repente, ficou vermelha. Sabia que tinha percebido que aquilo não era certo.
Assenti e deixei que me puxasse até o sofá. O médico lunático se levantou e estendeu a mão para me cumprimentar.
Olhei para Celeste e seus olhos suavizaram, implorando por compreensão. Droga! Ela vai ter que dar muitas explicações depois, senhora Pedrosa.
— Oi, cunhado. Que bom te ver de novo — disse o médico. Apertei sua mão com força, firme o suficiente para fazê-lo se encolher.
— O que está fazendo aqui? — Lancei um olhar frio. Eu não ia fingir que ele era bem-vindo na minha casa.
— Ahm... só veio fazer uma visita. Sabe, velhos amigos... — Celeste salvou a situação. Como sempre.
— Eu o trouxe. Ele queria ver a Celeste e as crianças — disse Lillian.
Meus pensamentos estavam acelerados. Nada me parecia mais desejável naquele momento do que chutá-lo para fora da minha casa.
— O tio Theodore é médico, papai — disse Esmeralda, brincando com um estetoscópio de brinquedo e colocando a ponta no meu peito. — Seu coração está batendo muito rápido.
Queria dizer à minha filha que era porque eu estava me segurando para não matar alguém.
Sentei-me e coloquei Esmeralda no assento ao meu lado. Wade se levantou, me deu um beijo na bochecha e sentou ao meu lado, folheando o livro. Eu nem sabia que havia um novo livro do Harry Potter. Se soubesse, teria comprado para ele.
Celeste e Lillian conversavam com o médico de novo, e eu ali, ouvindo como um idiota. Falavam de pessoas que eu nem conhecia.
Ele contou uma piada. E Celeste estava rindo alto. Como ela podia rir de uma piada dele? Eu odiava que ele conseguisse fazer Celeste rir.
Minha raiva virou fúria ardente. Eu estava morrendo de ciúmes.
— E quantos filhos você tem? — Interrompi a conversa e o silêncio voltou.
— Ahm... ele não é casado — respondeu Celeste por ele de novo. Por que ela sempre faz isso? Estava agindo como porta-voz dele.
— E o que aconteceu com sua noiva? — perguntei.
Ele deu de ombros.
— Somos incompatíveis.
A mesma desculpa patética de qualquer imbecil.
Maldito seja. A forma como os olhos dele brilhavam cada vez que olhava para Celeste me dava vontade de arrancar sua garganta. Ainda ama a Celeste, e eu sei que ele me quer morto para tomar meu lugar como marido dela e pai dos meus filhos. DE JEITO NENHUM! Eu não vou permitir isso.
— Preciso ir. Tenho um evento beneficente esta noite — disse o médico, se levantando.
Fiquei aliviado. Finalmente ele estava indo embora.
— Oh! Vamos jantar antes — me surpreendi ao ouvir Celeste convidá-lo para jantar, mas ainda mais quando me perguntou: — Você não se importa, amor, né?
— Ah... — O jeito como Celeste me olhou me fez apenas acenar com a cabeça.
— Ótimo! Podemos jogar aquele jogo de cartas que você nos ensinou quando éramos pequenas — disse Lillian, empolgada.
— Me ensina também! — gritou Esmeralda.

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