POV EROS
Merda!
Aquele tapa me pegou desprevenido. Eu não esperava por isso. Embora não tenha doído, o simples fato de ela ter tido a coragem de me bater me feriu emocionalmente. Droga!
Eu pude ver que ela também ficou surpresa. Ela me olhou com a boca aberta e depois olhou para a própria mão.
— Amor... Me desculpa — disse Celeste, se aproximando de mim. Mas levantei a mão, sinalizando para ela parar, antes de sair furioso do nosso quarto.
Meus sentimentos estavam feridos. Ela me deu um tapa porque eu estava defendendo aquele idiota!
Eu também estava morrendo de ciúmes. A ideia de Celeste com aquele médico maluco estava me deixando nervoso. Eu estava ficando paranoico. Não conseguia parar de pensar que Celeste ainda gostava dele — e ele dela.
Droga!
Eu amava a Celeste e fazia de tudo para fazê-la feliz. Só de pensar que ela se importava com aquele cara, meu coração se partia. Meu Deus!
Eu queria que aquele médico ficasse longe. Queria ele a um milhão de quilômetros de distância de nós. Não o queria na vida da minha família — muito menos na da Celeste — nunca mais.
Fui até o quarto do Wade. Ele estava jogando Xbox. Era sábado à noite e ele podia ficar acordado até mais tarde.
Sentei ao lado dele e fiquei observando. Na verdade, eu nem estava olhando para a TV: minha mente estava cheia, revivendo a conversa com a Celeste e o momento em que ela me bateu.
Vi que ela também ficou surpresa com o que fez. Não podia acreditar que me bateu. E agora estava se sentindo culpada. Bem feito. Que sofra um pouco também.
— Tá tudo bem, pai? — Wade me olhou de lado.
— Tá sim. Estou bem.
— Tá tudo bem entre você e a mamãe?
Me mexi desconfortável no sofá.
— Não.
— Quer conversar sobre isso? — Wade largou o controle e me deu atenção.
— Agora não. Ainda estou bravo.
Wade ficou decepcionado.
— Você tem que resolver isso com a mamãe. Afeta a mim e à Esmeralda também. A gente não quer ver vocês brigando. A gente ama vocês dois.
Assenti e tentei tranquilizá-lo.
— Não se preocupa. Amanhã eu e sua mãe vamos conversar e resolver isso, tá bom?
— Tá bom, pai.
— Obrigado, filho. Pode me fazer um favor?
— Claro.
— Vai falar com sua mãe? Ela tá precisando de alguém agora.
Wade assentiu e saiu do quarto. Continuei jogando para tentar esquecer a raiva.
Depois de uns quinze minutos, desliguei o jogo. Ainda estava preocupado. Fui até o quarto da Esmeralda e entrei na cama com ela. Estava deitado ao lado dela quando ela se virou e me abraçou.
— A mamãe tá brava com você, papai? — ela perguntou com a voz sonolenta e doce.
— Acho que sim.
— Você fez algo errado, papai?
— Não... Não sei.
— Não se preocupa. A mamãe ainda te ama — disse ela. Sua mãozinha deu um tapinha na minha cabeça.
— É... E eu amo muito ela. Não consigo imaginar minha vida sem ela.
Ela me cobriu com o cobertor e me abraçou.
— Te amo, papai.
— Também te amo, meu amor.
Ela me deu um beijo na testa e se aninhou ao meu lado.
*
POV CELESTE
— O que foi, mãe?
Enxuguei as lágrimas ao ouvir a voz do Wade na porta. Eu estava tão perdida nos pensamentos que nem percebi quando ele entrou no quarto.
— O papai me mandou vir aqui.
— Sério? — senti uma pontinha de esperança ao ouvir isso. Eu tinha certeza que o Eros estava muito bravo comigo agora. Estava com medo de que ele não me perdoasse por ter batido nele. Deus... o que eu estava pensando? Por que eu fiz isso?
Wade sentou ao meu lado na cama e acariciou minhas costas, tentando me consolar.
— Vai ficar tudo bem, mãe. Não chora tanto.
— Onde ele está?
— Deixei ele no meu quarto.

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