POV WADE
—Oi, Wade.
Parei de repente ao ouvir uma voz muito familiar. Virei-me e vi Martha, segurando uma caixa de plástico transparente com biscoitos.
—Fui eu que fiz para você — disse ela, estendendo a mão para me dar a caixa. Mas eu não peguei. Ela sabia que eu adorava biscoitos. Fez isso para fazer as pazes.
Perdoar era fácil, mas esquecer... era difícil. A imagem dela e do Cameron se beijando no banheiro dos meninos ainda estava bem viva na minha mente.
—Não, obrigado. Não estou com fome — falei, seguindo pelo corredor em direção à minha próxima aula.
—Você pode comer depois, em casa — insistiu ela, caminhando ao meu lado.
—Eu disse que não. Dá pro seu namorado — respondi, acelerando o passo para que ela não conseguisse me alcançar.
—Você é o meu namorado. Só existe você, Wade. Eu já te disse que perdi uma aposta. Beijar ele era a consequência — ela quase corria atrás de mim.
—Pra mim não pareceu consequência.
—Por que você não acredita em mim? Eu te amo. Ainda te amo.
—A gente terminou, Martha. Aceita.
—Sinto sua falta... Você não sente minha falta? — a voz dela era frágil e trêmula.
Parei e a encarei. Então disse:
—Não.
—A professora Lim não vem hoje — disse Ismael quando cheguei na sala.
—Ótimo. Vou poder dormir uma hora — sentei ao lado dele. Estava super concentrado escrevendo algo. — Tem dever?
—Não. Tô escrevendo uma carta pra Carla — respondeu Ismael.
De novo, não.
—Acho que agora tenho uma chance com a Carla — continuou ele.
Isso me pegou de surpresa.
—Por que você acha isso? — perguntei.
—Eu sinto, mano. Pelo jeito que ela me olha — disse com entusiasmo. Os olhos brilhavam. — Ela ficou preocupada quando eu disse que tava com dor de estômago ontem à noite.
—Sério? Que bom, mano — reclinei na cadeira e fechei os olhos. Tinha muita coisa na cabeça.
—Irmão, você pode me ajudar com a carta pra Carla? Como eu digo que ela é linda e que gosto muito dela? Tenho dificuldade de expressar meus sentimentos com palavras — disse Ismael.
Continuei de olhos fechados, pensando.
—Diz que ela é muito linda e que você não consegue parar de pensar nela...
—Tá... tá... — respondeu ele.
—De manhã, quando acordo, você é a primeira coisa em que penso e a última antes de dormir.
—E depois?
—Adoro seus olhos. Toda vez que você me olha, meu coração dispara... E quando você sorri... me deixa sem fôlego. Só quero estar com você o tempo todo...
—Espera... espera. Não consigo te acompanhar. Mais devagar — reclamou Ismael.
Fomos interrompidos pela chegada do Leonidas.
—E aí, galera. Tudo certo? Bora pra biblioteca dormir. — Leonidas colocou a caixa de biscoitos de plástico sobre minha mesa —. A Martha disse que é pra você.
Soltei um gemido de frustração. A Martha não desistia.
—Fica pra você, irmão — falei, empurrando a caixa pra longe.
—Que fique com o Ismael. Eu não gosto de biscoito — Leonidas colocou os biscoitos na mesa do Ismael.
—Valeu, irmão. Eu adoro biscoitos — Ismael abriu a caixa e deu uma mordida enorme em um.
*
POV CARLA
—Por que ele está demorando tanto? — Olhei meu relógio de pulso. Já tinham se passado cinco minutos e Wade ainda não tinha chegado ao teatro.
Eu estava nervosa.
—Vou esperar mais cinco minutos e, se ele não aparecer, vou embora.
De repente, a porta se abriu. Era o Wade, com uma sacola de papel grande e duas latas de refrigerante.
—Oi — disse Wade, me encarando. Estava suando e ofegante.
—Oi —. Eu estava atordoada. Respirei fundo para acalmar os nervos. O impacto de vê-lo de novo foi intenso.
—Tinha muita fila na lanchonete. Trouxe hambúrgueres e batatas fritas. Assim não vamos passar fome —. Ele sorriu de leve e colocou a comida sobre a mesa e a mochila no chão.
—Tô com fome. Podemos comer primeiro? — perguntou.
—Claro.
Ele me deu um hambúrguer e uma lata de refrigerante.

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