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Esposa por contrato romance Capítulo 185

POV WADE

Não conseguia dormir. Estava muito animado para ver a Carla amanhã. Faziam três dias desde a última vez que a vi e era meio estranho. Sinto falta dela.

O sorriso dela. Os olhos dela. O cabelo dela. As expressões dela. Tudo nela.

Queria mostrar a ela os lugares onde estive com meus pais, para fazê-la feliz. Não queria que ela se sentisse sozinha. Me incomodava saber que ela estava sozinha em casa.

Fui até a cozinha beber leite. Esmeralda estava lá com Athena. Estavam fazendo churros.

— Oi, achei que você já estivesse dormindo. Quer provar um? — disse Esmeralda, apontando para o prato de churros.

Peguei um e tirei o excesso de canela e açúcar antes de comer.

— Não está bem cozido por dentro.

— Oh! Experimenta este — Esmeralda pegou um churro recém-feito e enfiou na minha boca.

Estava tão quente que queimou minha língua. Cuspi imediatamente.

— Por que você fez isso?

— Ops... desculpa. Não está uma delícia?

— Nem tanto. Está muito passado — respondi, abrindo a geladeira e pegando a garrafa de leite.

— Uau, aconteceu um milagre. Você não ficou bravo comigo — disse Esmeralda.

— Não me provoca — falei, colocando a caneca de leite no micro-ondas.

Fui até a varanda para ficar sozinho e limpar a bagunça da mesa.

— Está tudo bem? — perguntou minha mãe.

— Tudo ótimo — respondi sorrindo.

— Você parece feliz.

— Estou feliz — me recostei e apoiei os pés na mesa.

— Hmm... E aquele seu amigo? Conseguiu resolver o problema?

— Ah, isso — dei de ombros e sorri largo. — Acho que sim.

— Que bom — minha mãe retribuiu o sorriso e piscou antes de sair da varanda.

Balancei a cabeça, sorrindo. Minha mãe e seu olhar brincalhão. Era verdade. As mães sempre têm razão.

Lembrei de quando contei para minha mãe sobre meu problema com Carla e o conselho que ela me deu. Foi aí que percebi que gostava muito da Carla. Sentia culpa por trair meu melhor amigo, Ismael. Estava muito confuso e isso me levou a dar vários foras na Carla. Foi uma péssima ideia. Me senti muito mal.

[Flashback]

— Por que ainda está acordado? É tarde. Amanhã tem aula cedo — disse minha mãe quando me viu descendo correndo as escadas.

— Não consigo dormir — respondi, passando por ela e indo até a varanda para pegar um pouco de ar fresco. Talvez ajudasse a clarear a mente.

— Por quê? — perguntou minha mãe, me seguindo.

— Não sei — respondi.

— Aconteceu alguma coisa?

Dei de ombros e me sentei numa cadeira de vime, apoiando os pés na mesa central.

— Vou trazer um pouco de leite. Vai te ajudar a dormir — disse, se virando e saindo.

A verdade? Estava muito preocupado. Já fazia dias.

Não conseguia parar de pensar na Carla... e isso estava ficando estranho.

Tudo começou no quadro de avisos, quando nossos olhares se cruzaram por um segundo. Fiquei surpreso com a rapidez com que meu coração disparou. Senti algo despertar dentro de mim.

O episódio na cafeteria me fez pensar ainda mais nela. Eu estava acenando para a Lara quando meus olhos encontraram os dela. Não consegui desviar o olhar. Ela estava tão linda, sentada, comendo e me lançando olhares rápidos.

O dia que a vi dormindo na sala de teatro, fiquei ali parado por vários minutos só olhando. Percebi que poderia ficar observando ela para sempre. E quando a salvei no corredor, senti que era meu dever protegê-la. A sensação de não querer soltá-la era muito forte. Queria que ela ficasse... nos meus braços, para sempre.

Mas tive que soltá-la. Rápido. Por Ismael.

Ismael não gostou de eu ter salvado a Carla. Era para ele ser o herói dela. Não eu.

Por isso evitei a Carla. Não gostava do que sentia por ela. Parecia errado. Como trair meu melhor amigo, Ismael.

— Aqui está o leite — voltei ao presente quando ouvi a voz da minha mãe atrás de mim. Ela colocou o copo de leite na mesinha. — Cuidado, está quente.

— Obrigado, mãe.

Ela bagunçou meu cabelo com carinho.

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