— Eles estão prontos para o café? — perguntou Gael, com a voz firme, como se não tivesse escutado a frase doce que Breno havia acabado de soltar.
— Sim… — respondi, tentando disfarçar a emoção que ainda me ardia no peito.
Ele se aproximou e pegou Bruno no colo. O menino o olhou com atenção, mas não com o mesmo brilho que iluminava os olhos quando me via. Gael, como de costume, não percebeu… ou preferiu não demonstrar que percebia.
Desci para o café com os meninos e lá estava Paulina sentada como se fosse a dona da casa, ela me olhou de maneira sarcástica e ignorei as suas provocações, eu só lembrava que tudo que eu estava fazendo era para a minha avó e por ela eu iria engolir qualquer sapo, após um café da manhã estranho Gael e Paulina se foram e eu finalmente pude respirar em paz.
Estava de volta ao quarto dos gêmeos quando o celular vibrou sobre a cômoda. O número era desconhecido, mas o prefixo… eu reconhecia. Hospital.
— Alô?
— Senhora Leandra Félix? — A voz masculina soava formal, mas carregava uma pressa contida.
— Sim, sou eu.
— Ligamos do Hospital Santa Regina. É sobre sua avó, dona Almerinda Félix. Seria importante que a senhora viesse o quanto antes.
O chão pareceu sumir sob meus pés.
— Algum problema grave?
— Prefiro que venha conversar pessoalmente. — A ligação foi encerrada.
Um frio subiu pela minha espinha.
Peguei a bolsa sem pensar duas vezes, chamei Francisca e pedi que me ajudasse a colocar Bruno e Breno no carrinho. Gael não estava em casa e, mesmo que estivesse, não pediria permissão. Minha avó vinha primeiro.
Seu Alfredo, percebendo minha pressa, não fez perguntas. Apenas acelerou, deixando a cidade correr pela janela como um borrão.
No caminho, Bruno começou a choramingar. Breno logo o acompanhou. Tentei cantar baixinho, como minha avó fazia quando eu era criança, mas meu coração batia rápido demais para encontrar o compasso. Segurar dois bebês e a ansiedade ao mesmo tempo era sufocante, mas eu não tinha escolha.
O hospital me recebeu com o cheiro forte de desinfetante e o eco de passos apressados. Uma enfermeira me reconheceu e indicou o caminho.
— A coordenação pediu que a senhora passe lá antes de ir ao quarto.
O diretor do hospital, um homem de meia-idade com óculos finos e expressão grave, levantou-se ao me ver e apontou para a cadeira à frente de sua mesa.
— Senhora Leandra, vou ser direto. A situação de sua avó é delicada. Precisamos iniciar um novo tratamento imediatamente para estabilizar o quadro dela, mas… — ele fez uma pausa, folheando alguns papéis. — As últimas despesas não foram pagas. Se o pagamento não for feito nos próximos dias, infelizmente teremos que suspender o tratamento.
Senti um nó apertar minha garganta.
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