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Esposa por Conveniência romance Capítulo 8

Quando me virei, vi um rosto que me fez voltar anos no tempo. Alguém que tinha marcado minha juventude, alguém que já tinha feito parte dos meus dias como se fosse um irmão de alma. Roger. Ele me olhou com a mesma intensidade de antes e abriu um sorriso largo, genuíno.

— Nem acredito que é você mesmo! — exclamou, antes de me envolver em um abraço caloroso que me pegou de surpresa.

Ao meu lado, senti Gael pigarrear, seco e incômodo, e Roger logo me colocou no chão.

— Você deve ser Gael Lubianco, não é? Muito prazer, sou Roger Menezes, amigo de longa data da Lê. — Ele estendeu a mão, e Gael apertou com força, mas não disse uma palavra sequer. O silêncio dele era cortante. — E você… está ainda mais linda do que me lembrava. — Roger voltou-se para mim, cheio de naturalidade. — Soube que se casou, me conte, como está a vida de casada?

— Está… indo conforme o planejado. — respondi, sem convicção.

Ele franziu o cenho.

— Ah, para! Me dê detalhes. Você sempre me contava tudo. De repente, nos afastamos por uns anos e agora você aparece assim, casada… Você me deve essa, Lê.

O entusiasmo dele me arrancou um sorriso, mas o peso do olhar de Gael sobre mim me obrigou a mudar de assunto. Perguntei a Roger sobre sua vida em Nova Iorque. Ele contou, animado, sobre projetos, viagens e conquistas. Era bom vê-lo feliz, tão cheio de brilho. Enquanto conversávamos, quase pude esquecer onde estava… até que Gael pigarreou outra vez, cortando o momento.

— Precisamos ir, amor. Quero apresentá-la a algumas pessoas. — O tom dele era firme, quase possessivo. “Algumas pessoas” significava investidores. Engoli a vontade de revirar os olhos e forcei um sorriso antes de me virar para Roger.

— Roger, precisamos ir. Mas vamos marcar de conversar com calma.

— Pode deixar, Lê. — Ele assentiu, sorridente. — Gael, cuide bem dela. Essa menina é única. — Depois me lançou um olhar cúmplice. — Seu número ainda é o mesmo, certo?

Assenti discretamente.

— Vou ligar para você depois, prometo.

Ele surgiu ali, apoiado no batente. O terno estava amarrotado, a gravata frouxa, e o olhar… aquele olhar não era o mesmo de sempre. Não havia a frieza calculada de Gael sóbrio, mas também não havia ternura. Era algo turvo, enevoado, perigoso.

— Leandra… — murmurou, cambaleando alguns passos. — Você está tão… tão linda assim…

Meu corpo enrijeceu. O elogio não soava verdadeiro, mas carregado de whisky e descontrole.

Ele fechou a porta atrás de si, como se isolasse o mundo. Seus olhos passaram rapidamente pelos berços, mas logo voltaram para mim, como se os gêmeos não existissem.

— O que está fazendo aqui? — perguntei, tentando manter firmeza na voz.

— Estou… na minha casa. Com a minha esposa. — Um riso seco escapou de sua boca. — E quero… quero ter meus direitos de esposo.

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