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Esposa por Conveniência romance Capítulo 5

A espera foi curta, mas o rangido pesado do portão abrindo soou quase como um aviso. Entrei e caminhei pelo jardim impecável, onde o aroma doce das flores contrastava com a frieza que me aguardava lá dentro.

Na sala, como sempre, estavam Juliana e Rafaelly. A primeira, com seu vestido caro e perfume marcante, sentava-se no sofá como uma rainha em seu trono; a segunda, absorta no celular, ergueu os olhos e sorriu de canto ao me ver.

— Olha só quem resolveu aparecer — disse Juliana, a voz carregada de falsa surpresa. — E trouxe… o que são? Souvenirs do seu novo marido?

Senti o calor subir pelo rosto, mas mantive a postura firme.

— Estou aqui para falar com o meu pai.

Rafaelly soltou uma risada curta.

— Aposto que é sobre dinheiro. — Ela me avaliou da cabeça aos pés, com aquele ar de desprezo treinado. — Ou será que veio pedir conselhos matrimoniais?

Ignorei. Não valia a pena reagir.

— Não quero falar com vocês, apenas com meu pai. — Respirei fundo, tentando não deixar a irritação transparecer.

Juliana recostou-se no sofá, entediada.

— Leandra, você é tão dramática. Tenho certeza de que seu pai está cuidando do que veio pedir.

— Ele não está, e por isso vim aqui.

— Infelizmente, ele está ocupado. Posso pedir para o Cláudio vir falar com você.

Poucos minutos depois, o empregado apareceu.

— Senhor Lúcio pediu para avisar que o pagamento será feito em breve. Ele pede para a senhora aguardar.

O vazio dessas palavras caiu sobre mim como um balde de água fria. “Em breve” não significava nada quando a vida da minha avó estava em risco. Mas não havia espaço para discussão.

— Diga a ele que o hospital não pode esperar. — Olhei para o empregado com firmeza, como se pudesse atravessar aquelas paredes e alcançar meu pai.

Ele apenas assentiu e saiu, deixando-me sozinha com o veneno disfarçado de sorrisos das duas mulheres.

— Viu só? — disse Juliana, ajustando o arranjo de flores sobre a mesa. — As coisas se resolvem… para quem sabe esperar.

Rafaelly riu de forma curta.

— Por que não pede dinheiro ao seu marido?

A vontade de responder estava na ponta da língua, mas engoli cada palavra. Não valia a pena gastar fôlego com quem só entendia de luxo e desprezo. Breno resmungou, e antes que chorasse, o peguei no colo. Assim que se acalmou, o coloquei no carrinho novamente.

— O papel de babá lhe cai muito bem — continuou Rafaelly, provocando-me com um sorriso presunçoso.

Um tempo depois Francisca bateu à porta.

— Senhora Leandra, Mariane já chegou. Está na sala de visitas.

— Pode me chamar só de Leandra.

— Como quiser. — Sorriu de leve, e acrescentou: — O carro estará pronto em breve.

Agradeci e fui me arrumar. Ao descer, encontrei uma jovem que parecia ter saído diretamente de um catálogo: cabelos lisos e brilhantes, maquiagem impecável e um sorriso treinado. Ela se levantou assim que me viu.

— Muito prazer, senhora Lubianco. Sou Mariane e vou acompanhá-la para escolher um vestido adequado para a recepção.

A palavra “adequado” me pesou nos ouvidos. Não significava o que eu gostava, mas sim como Gael queria que eu fosse vista. Ainda assim, assenti. Bater de frente não valia a pena.

— Pode me chamar de Leandra. — Estendi a mão, mas ela me surpreendeu com um abraço caloroso, genuíno.

— Então vamos, Leandra. O senhor Alfredo já nos espera.

No carro, enquanto deslizávamos por ruas largas e arborizadas, senti o olhar dela me estudar com uma simpatia discreta.

— Para onde vamos?

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