Quando Luiza saiu da Mansão dos Marques, estava mancando ainda mais.
Nos últimos três anos, sempre que Ethan não a acompanhava de volta para lá, ela invariavelmente acabava sendo punida. Para ela, isso não era nenhuma surpresa.
O que Ethan não sabia era que, toda vez que ele tentava provar sua lealdade à sua querida Gabriela, ele a empurrava ainda mais para um beco sem saída.
Afinal, a família Marques não tinha interesse em uma mulher inútil, incapaz até mesmo de manter o coração de seu próprio marido.
O mordomo George suspirou profundamente e comentou:
— Você não precisava ser tão sincera. Se ao menos inventasse uma desculpa mais convincente, mesmo que fosse uma mentira, teria evitado esses ferimentos.
Luiza, com o rosto sereno e sem demonstrar nenhuma mágoa, respondeu suavemente:
— George, a vovó me criou. Posso mentir para qualquer pessoa, menos para ela.
— Ah... — O olhar de George suavizou, revelando um pouco mais de sinceridade em sua preocupação. Ele olhou para as palmas das mãos dela, agora avermelhadas e inchadas, e disse. — Não demore. Vá logo ao hospital cuidar disso.
— Tudo bem. — Luiza concordou com um aceno de cabeça e não disse mais nada.
O motorista Joaquim já havia sido dispensado, e cada passo que Luiza dava era acompanhado por uma dor intensa.
Desde pequena, ela sempre achou que Dona Joana era a personificação da famosa vilã Odete Roitman, da novela Vale Tudo.
Dona Paula, pelo menos, apenas ordenava que Gabriela se ajoelhasse no quintal. Já Dona Joana fazia com que os empregados levassem Luiza até uma estrada coberta de pedrinhas afiadas para ajoelhar-se ali.
No começo, com a neve, a sensação até era suportável. O frio fazia com que o corpo ficasse dormente, o que mascarava um pouco a dor. Mas, à medida que a neve derretia, tudo o que restava eram as pedras afiadas e irregulares.
Quando o corpo dela estava completamente gelado, os empregados apareciam com uma régua de madeira para bater nas palmas das mãos dela. Nesse momento, a dor era insuportável, cortante, a ponto de a pele rachar.
A Mansão dos Marques ficava em uma estrada sinuosa, cercada por montanhas e com uma vista deslumbrante para um lago. Apesar da beleza do lugar, sair dali era sempre um desafio.
Luiza finalmente conseguiu chamar um carro por aplicativo, mas, por causa do horário avançado e da neve, o motorista concordou apenas em esperá-la no sopé da montanha.
Cada passo que Luiza dava para descer era uma tortura. Embora fosse inverno, suas costas estavam cobertas de suor por causa da dor lancinante.
À distância, um Bentley preto alongado se movia lentamente pela estrada escorregadia.
O motorista, atento, aumentou a velocidade ao notar algo:
— Senhor, acho que aquela ali na frente é a Sra. Luiza.
No banco de trás, um homem estava recostado no assento, com as longas pernas cruzadas de maneira relaxada. O rosto dele, escondido pelas sombras da noite, era forte e imponente, e sua aura carregava um peso quase sufocante.
Ao ouvir isso, ele sequer levantou os olhos, mas respondeu com um breve e indiferente:
— Hum.
Era impossível decifrar suas emoções.
O assistente, sentado no banco da frente, não conseguiu mais conter-se e perguntou:
— Senhor, não vamos fazer nada?
A voz grave e fria do homem ecoou no carro, carregada de uma ameaça sutil:
— Você quer resolver isso?
O assistente imediatamente ficou em silêncio.
Por alguns instantes, o homem permaneceu imóvel, mas, ao olhar através do para-brisa, seus olhos se estreitaram ao ver a figura cambaleante de Luiza à frente.
— Descubra onde Ethan está agora. — Ele ordenou.
O assistente respondeu prontamente:
— Já investigamos. Ele provavelmente está com Gabriela, como sempre, curtindo a vida de casal.
Ele fez uma pausa, antes de acrescentar.
— Senhor, a Sra. Luiza provavelmente ficou ajoelhada na neve por horas. Acho que ela está prestes a desmaiar.
Assim que ele terminou de falar, a figura frágil de Luiza caiu no chão.
— Senhor, eu disse que...
Bang! O som da porta do carro sendo violentamente fechada interrompeu o assistente.
Com o rosto escurecido e uma expressão fria, o homem desceu do carro e rapidamente envolveu o corpo frágil de Luiza em seu casaco de lã, pegando-a nos braços.
O assistente correu para abrir a porta de trás do carro e perguntou:
— Vamos para o hospital ou para outro lugar?
— Primeiro, para a casa.
— Entendido.
— Avise o médico para estar lá quando chegarmos.
— Já entrei em contato.

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