Ao ouvir a voz de Luiza, tão calma e despreocupada, Ethan sentiu como se algo tivesse perfurado seu coração.
Ele franziu as sobrancelhas, desconfiado:
— Por que você quer jogar fora assim, de repente? Não era você que cuidava tanto desse vestido de noiva?
Luiza não negou.
Nos últimos três anos, ela havia reservado um lugar especial no closet para aquele vestido, sempre o enviando para limpeza e manutenção uma vez por ano.
Mas o motivo pelo qual ela cuidava tanto dele era porque acreditava que uma pessoa só se casava uma vez na vida. E, por isso, aquele vestido merecia ser guardado como uma lembrança preciosa.
Agora que estavam prestes a se divorciar, e com Ethan provavelmente a um passo de trazer sua amada Gabriela para dentro de casa, aquele vestido, assim como ela, se tornara apenas um objeto desnecessário naquela família.
Luiza sorriu de leve:
— Está estragado. Descobri outro dia que ele tem um buraco enorme.
— Mesmo assim, não dá para simplesmente jogar fora. — Ethan respondeu, observando o sorriso forçado dela, achando que, no fundo, ela ainda tinha apego ao vestido. — Olha, posso pedir para a loja de noivas buscar e ver se eles conseguem consertar.
— Não precisa. — Luiza balançou a cabeça, olhando diretamente para Ethan com uma expressão firme. — Coisas quebradas não têm conserto.
Ela não estava falando apenas do vestido. Referia-se ao coração dela, a esse casamento.
Sem esperar por uma resposta dele, Luiza virou-se e entrou em casa.
Ethan percebeu que ela ainda mancava levemente ao andar e, só então, lembrou-se de perguntar:
— Ei, você está machucada? O que aconteceu? Já faz dois ou três dias que você está assim, andando desse jeito.
Era como chover no molhado. A preocupação tardia dele não fazia diferença alguma.
Mas, ainda assim, ela precisava da culpa dele.
Luiza abaixou os olhos e respondeu com sinceridade:
— Já estava melhorando, mas ontem à noite, na Mansão dos Marques, fiquei de joelhos na neve por quatro horas.
— O quê? — Ethan ficou atônito. Ele olhou para as mãos dela, notando pela primeira vez as palmas vermelhas e inchadas. Seus olhos se estreitaram. — Suas mãos também... O que aconteceu?
Luiza piscou, como se aquilo não fosse nada demais.
— Foram batidas.
A voz dela era tão indiferente, tão tranquila, que não havia qualquer traço de sofrimento.
Ethan franziu o cenho, claramente incomodado.
— Por que você ficou ajoelhada por tanto tempo? E ainda... — Ele hesitou, incapaz de terminar a frase.
Luiza não era, afinal, uma completa estranha para a família Marques. Como alguém que sempre foi tratada como parte da casa, como ela poderia ter sido punida daquela forma?
Ele não ousava levar o pensamento adiante.
Ela ergueu o rosto, encarando-o por um momento. Por alguma razão, flashes do passado inundaram sua mente — o quanto ela havia sonhado em se casar com ele, acreditando que poderiam envelhecer juntos.
Por um longo momento, ela não disse nada. Reprimiu a pontada amarga em seu coração e, finalmente, respondeu com um sorriso:
— Porque você não voltou comigo.
Ethan sentiu algo pesado no peito, um incômodo que ele não conseguia definir. Ele engoliu em seco e perguntou:
— Você ainda consegue sorrir. Não dói?
— Dói. — Luiza assentiu. — Mas eu já me acostumei.
— Acostumou?
— Sim. — Luiza apertou levemente as palmas das mãos, como se estivesse testando os limites da dor. — Sempre que você não vai comigo, isso acontece.
Na verdade, não era só isso. Desde que era pequena, qualquer coisa que ela fizesse e desagradasse Dona Joana resultava em algum tipo de punição.
Aquela estrada coberta de pequenas pedras pontiagudas havia sido projetada especificamente para ela.
Luiza tinha menos de um ano na família Marques quando, aos seis anos, aprendeu como se ajoelhar de forma que Dona Joana ficasse satisfeita. Os joelhos, as canelas e o peito dos pés precisavam estar perfeitamente alinhados, ajustando-se às pedras como se fossem feitos para aquilo.
Ethan se agachou, levantando suavemente a barra do vestido dela. O que viu fez seu estômago revirar. Os joelhos de Luiza estavam inchados, cobertos de hematomas enormes. As canelas, profundamente machucadas, exibiam marcas roxas que destoavam violentamente contra a pele clara e delicada dela.
Era uma cena tão brutal que fazia os leves arranhões nos joelhos de Gabriela, dias atrás, parecerem uma piada.
A raiva borbulhou dentro de Ethan. Sem pensar, ele a pegou nos braços e a carregou até o sofá. Ele franziu as sobrancelhas e perguntou, claramente indignado:


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