A túnica de fios dourados que Elisa havia tecido com tanto cuidado foi, naquele momento, despedaçada.
Até mesmo Vinicius acabou sendo ridicularizado por sua suposta generosidade.
Como Elisa era conhecida entre as senhoras da alta sociedade por ser arrogante, assim que a notícia comprovada veio à tona, aquelas que costumavam bajulá-la passaram a bloqueá-la ou a zombar dela.
Algumas chegaram até a "demonstrar preocupação" publicamente nos grupos:
"Sra. Tavares, ouvi dizer que sua técnica de massagem é inigualável. Quando poderá nos prestar esse serviço, querida?"
"A técnica exclusiva da Sra. Tavares só atende clientes especiais, não vai ligar pra você."
Elisa ficou tão furiosa que quase sangrou pelo nariz, nem mesmo os remédios conseguiam conter. Naquela mesma noite, precisou ser levada ao hospital.
Enquanto isso, no quarto de hospital de Genival, reinava um clima acolhedor.
Karina já havia voltado para casa e Celina ficou para passar a noite.
Ela deu os remédios de pressão ao avô, ajeitou o pijama hospitalar com carinho.
"Por que o senhor se incomoda com gente desse tipo? Elisa é maldosa e não tem mais salvação. O senhor deveria comer bem, beber bem, viver muitos anos e fazer aquela invejosa morrer de raiva!"
O avô sorriu com as palavras dela.
"Vejo que minha neta, depois desses anos na Família Tavares, aprendeu a se proteger bem e não levou tanto prejuízo. Assim fico mais tranquilo."
Mas as palavras do avô fizeram Celina mergulhar em reflexão por um instante.
Na Família Tavares, ela já havia se prejudicado antes, mas tudo foi por Jackson, pelo tal do bem maior.
No fim das contas, era tudo por amor, então aceitava ceder.
Agora, sem mais sentimentos por Jackson, e Elisa sem saber se colocar, não poderia culpar Celina por ser implacável.
Enquanto pensava nisso, a porta do quarto foi abruptamente arrombada.
Vinicius entrou furioso e, sem hesitar, deu-lhe um tapa no rosto.

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