Os dois se surpreenderam ao mesmo tempo e se viraram juntos.
Jackson lançou a Celina um olhar carregado de contenção e raiva, mas não disse nada.
Alice, que havia passado alguns dias trancada e ainda sofrera uma bronca severa de João, estava bem mais quieta.
Ela, percebendo a situação, retirou a mão do braço de Jackson discretamente.
"Irmã, agora sou apenas a secretária do meu irmão, como pode me chamar assim sem pensar?"
Hoje, todos os empresários mais respeitados da Cidade K estavam presentes para a cerimônia de assinatura, e Alice ainda prezava pela própria reputação.
Celina sorriu com o canto dos olhos. "Não venha me chamar errado, não tenho sorte suficiente para ser da sua família. Hoje, só podem entrar aqueles convidados mencionados no convite e seus acompanhantes; todos os outros precisam ser registrados pela empresa. Se não me engano… seu nome não estava na lista de registro."
Alice abriu a boca para responder.
Desde cedo, quando João dissera de repente que precisava que ela viesse, ela já sentira que havia algo estranho.
Não que João e Celina estivessem tramando algo contra ela, mas o fato de Celina ter se tornado tão intimidadora a fazia ficar extremamente alerta diante daquela mulher.
"Irmã, entre eu e o meu irmão não há nada, é só paranoia sua. Vocês dois têm problemas conjugais, mas não podem sempre jogar isso em cima de mim…"
Quando ela estava prestes a forçar algumas lágrimas, uma funcionária da Pederneira Verde encarregada do evento correu até ali, interrompendo-a com um grito.
"Sra. Tavares, a senhora deixou cair uma coisa."
A voz de Alice foi cortada abruptamente.
Era o momento do coquetel, e os convidados, que conversavam descontraidamente, voltaram seus olhares para eles.
A situação ficou extremamente constrangedora.
"Eu te conheço? Por que está me chamando assim?" Alice respondeu, desconfortável.
A funcionária se surpreendeu por um instante, mas logo sorriu.
"Na hora do registro, a senhora disse que era a Sra. Tavares, por isso permitimos sua entrada. Tenho boa memória, jamais confundiria."

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