Enquanto falava, Lydia ergueu o rosto no abraço de Sean, os olhos vermelhos e levemente inchados.
— Mas, Sean, por favor, não fique bravo com ela... Ela só agiu assim porque te ama demais.
Imaginando a reação de Helen ao chegar e vê-la nos braços de Sean — tomada pelo ciúme, se descontrolando diante de todos —, Lydia sentiu um prazer doentio florescer dentro de si.
Logo, os amigos de Sean fariam Helen passar a maior humilhação de sua vida. Iriam pisar nela, fazê-la rastejar, forçá-la a lamber o chão se quisesse alguma dignidade.
E ao repetir que “Helen está no Royal Court”, Lydia teve a satisfação de ver os olhos de Sean ganharem um novo brilho.
O franzido entre as sobrancelhas dele suavizou.
Helen já havia chegado. Com certeza viera por causa do telefonema anterior.
Por mais fria que soasse ao telefone, o fato de estar ali dizia tudo.
Ela ainda o amava.
Ainda era dele.
Sean relaxou, levando o copo aos lábios com um leve sorriso.
Lydia, percebendo isso, envolveu sua cintura e perguntou com doçura afetada:
— Sean, você sempre disse que só estava com ela pra descobrir se a sua avó deixou alguma herança secreta… Mas, ela é tão bonita. Você... realmente gostava dela?
O gesto de Sean congelou no ar. Os dedos apertaram o copo com força.
— Sean? — Lydia mordeu o lábio inferior, ansiosa, seus dedos se fechando ao redor do tecido da camisa dele.
Antes que respondesse, Sean viu pelo canto do olho uma silhueta parada à porta.
Alta, esguia. Mesmo com a iluminação fraca, ele soube na mesma hora.
Era ela.
Helen.
Ela realmente veio.
Um sorriso se insinuou em seus lábios. Os olhos brilharam, e ele relaxou, satisfeito.
Com um ar de escárnio, ergueu o copo, virou um grande gole e então segurou o queixo de Lydia. Sem aviso, inclinou-se, transferindo o álcool da sua boca para a dela.
— Mmph… — A bebida queimou a garganta de Lydia. Seus olhos se arregalaram, lacrimejando de tanto engasgar.
Sean apenas sorriu mais. Passou o dedo devagar pelo canto da boca dela, recolhendo a bebida que escorrera.
— Você sabe quem eu gosto de verdade, não sabe?
Palavras carregadas de provocação e ambiguidade ecoaram pelo ambiente abafado.
Lydia ficou completamente vermelha, o rosto ardendo.
Ela tossiu, entre a vergonha e a surpresa.
— Sean... — sussurrou, levantando o olhar timidamente.
Mas os olhos dele já estavam diferentes — frios, preguiçosos, divertidos.
E desviavam, quase imperceptivelmente, para a porta.
...
As palavras vulgares que vinham de dentro eram perfeitamente audíveis.

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