A expressão de Helen continuava fria, impassível — completamente diferente do antigo sorriso suave que costumava exibir ao vê-lo.
Sean franziu o cenho, visivelmente incomodado.
Então ouviu a voz trêmula de Lydia:
— Senhorita Walcott, eu sei que veio por causa do Sean... Já que está aqui, deveria entrar e se sentar...
Ela parecia assustada, mas ao mesmo tempo forçava uma postura de resistência gentil, fingindo suportar tudo por amor a Sean — a imagem perfeita da devoção injustiçada.
Isso reacendeu uma certeza em Sean.
Helen viera por causa da ligação dele.
Viera por ele.
Essa constatação dissipou qualquer irritação que ele sentira momentos antes.
Um sorriso satisfeito curvou seus lábios. Ele se recostou no sofá, com ar superior, erguendo o queixo ao falar em tom condescendente:
— Já que veio até aqui, por que tá parada feito uma estátua? Entra logo e pede desculpas à Lydia.
A atitude protetora de Sean em relação a Lydia fez os olhares da sala se voltarem para Helen, ansiosos para testemunhar sua humilhação.
Josh, posicionado estrategicamente ao lado da porta, num ponto cego para quem estava dentro da sala, permaneceu em silêncio.
Por isso, todos ali se sentiram à vontade para ridicularizar Helen abertamente.
Derek soltou uma risada carregada de escárnio:
— Helen, você é mesmo um cachorrinho obediente. Sean manda e você aparece. Que coragem pra alguém tão azarada quanto você. Não sente vergonha?
Helen ergueu lentamente o olhar, um sorriso frio e sutil curvando seus lábios.
— Azarada?
Ela ergueu a mão, apontando diretamente para Sean, acomodado na poltrona principal:
— Quatro anos atrás, todos vocês dependeram de uma parceria com os Griffins pra não irem à falência. Me diga, aquele contrato foi fechado por causa das festas ridículas do Derek, ou das lágrimas fingidas da Lydia?
As palavras atingiram em cheio o ponto fraco de ambos.
Naquela época, Sean só aceitara a parceria com os Morgan por causa do noivado com Helen. Ela mesma, nos bastidores, havia garantido o sucesso do acordo — favorecendo os Griffins e sustentando os Morgan em Veridia.
— Ah, não se ache tanto! — debochou um rapaz magro. — Sean fez aquele acordo por respeito à família Morgan. Você não passa de uma impostora que viveu no lugar da verdadeira senhorita Morgan por vinte anos! Ainda tem a audácia de continuar se agarrando ao Sean?
Outro, com cabelo descolorido, emendou:
Na alta sociedade, só um Morgan ousava se vestir com tamanha excentricidade: Josh Morgan.
Era impossível confundi-lo.
— Lixo... — Sean murmurou entre dentes, o rosto já tenso com a cena.
Mas ver Helen ao lado de Josh... aquilo acendeu algo ainda mais feroz em seu peito.
A raiva cresceu como labaredas. Seu orgulho implodindo por dentro.
As palavras escaparam sem pensar:
— Helen, você caiu tão baixo assim? Me largou e já se agarrou ao Josh? Acha que estar com ele te faz melhor do que eu? Ele tá só se divertindo com você. Isso é um capricho, só isso.
— Nossa, Sean… tá se achando demais, hein? — Josh falou, as mãos nos bolsos, mas o olhar firme. Ele deu um passo à frente de Helen, com um sorriso carregado de desdém. — “Se agarrou”? Helen é minha chefe. Eu teria o maior prazer em carregar os sapatos dela. E quem é você pra falar assim com minha chefe? Repete isso de novo, e vai sair daqui numa maca.
Josh semicerrava os olhos.
Quem o conhecia sabia — ele estava realmente furioso.
Só de pensar em tudo que Helen suportou nesses quatro anos nas mãos de Sean, seu sangue fervia.
E se dependesse dele, ninguém ali sairia impune.

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