"Você vai se responsabilizar? Tem noção do tamanho disso?" Amanda estava lívida. "As instruções do Dr. Morgan nunca falham! Apliquem o medicamento agora! Se atrasarmos um segundo, será tarde demais!"
Um médico ao lado se apressou em reforçar: "Exato. Nunca vi o Composto Norman causar alergia. Isso é absurdo! Pura intimidação!"
"O Dr. Morgan é uma lenda! Um mestre! Tudo o que ele prescreve vira estudo de caso!"
"Administrem logo!"
George tentou impedir.
Amanda então gritou: "Segurem ele! Se continuar interferindo, chamem a polícia!"
Mesmo se debatendo, George foi contido, incapaz de agir. "Srta. Walcott, o que eu faço..."
A voz de Helen continuou calma, quase indiferente: "Acreditem no que quiserem. As consequências agora são por conta de vocês."
Amanda zombou e gritou a ordem: "Apliquem imediatamente!"
Houve alvoroço do outro lado da linha.
A voz de George soou rouca, sufocada pela frustração. "Eles... eles aplicaram. Injetaram o composto..."
Helen permaneceu em silêncio.
Ela já sabia o que viria.
E veio.
Segundos. Bastaram segundos.
"Alguma coisa deu errado! A garganta dela está fechando! Urticária generalizada! Está sufocando!"
"Pressão desapareceu! Frequência cardíaca em 30! Está entrando em fibrilação ventricular!"
"Choque anafilático! Céus—reação alérgica severa com hemorragia interna? O que fazemos agora?!"
Tudo se desenrolou exatamente como Helen previu.
Amanda empalideceu de imediato. Sua voz tremeu, tomada pelo pânico. "I-impossível... As instruções do Dr. Morgan não podem falhar... Não é culpa do medicamento! Deve ser o corpo dela! Ela já devia ter alguma condição!"
Tentava se esquivar da culpa.
Mas sua voz traía o desespero.
George observava os médicos correndo em desespero ao redor da paciente. Apertou o celular com força e implorou: "Srta. Walcott... por favor. A senhora pode salvá-la, não pode?"
Helen hesitou por um breve instante.
George, um completo desconhecido até então, depositara nela uma confiança cega.
E aquilo acendeu um lampejo de calor em seu peito — por pais biológicos que nunca conhecera.
Sua voz veio firme, clara, inquestionável: "Você. Encontre alguém que conheça medicina tradicional. Traga um estojo de agulhas de acupuntura."
A calma e precisão no tom dela acalmaram até o ambiente em pânico.
George reagiu de imediato. "Alguém! Precisamos de um especialista em medicina tradicional! A Srta. Walcott tem um plano!"
"Medicina tradicional? Isso é piada, só pode!" zombou Amanda. "Isso não passa de charlatanismo!"
Mas George a ignorou. Cada segundo era precioso.
Virou-se para Otis e ordenou: "Traga alguém formado em medicina tradicional. Agora. Qualquer consequência, eu assumo."
Otis hesitou.
Mas ao ver George levantar a gola da camisa e exibir discretamente um distintivo, sua postura mudou imediatamente. Suor frio desceu por sua têmpora. "O que estão esperando? Vão, agora!"
Helen manteve o tom sereno, a voz firme, como se tudo tivesse ocorrido exatamente como previsto. "Esperem por mim."
Apenas três palavras, mas George quase chorou de alívio.
Sua voz veio reverente: "Sim, Srta. Walcott!"
A ligação foi encerrada.
Helen levantou os olhos e olhou para Dale, preguiçosamente.
Sem precisar de ordens, Dale acelerou, girando o volante e voando em direção ao Hospital de Verídia. "Chefe, não acredito que vai salvar alguém com as próprias mãos!"
Helen recostou no assento. Seus dedos longos tamborilaram suavemente na tela do celular. "Medicina existe para salvar vidas. É isso que significa ser médica."
Dale quase engasgou.
A pessoa mais temida da Zona Nula, capaz de fazer qualquer criminoso tremer, dizia que salvar vidas era seu propósito?
Se a galera da Zona Nula ouvisse aquilo, teria um colapso coletivo.
Mas, a julgar pela reverência daquele mordomo...
Talvez os verdadeiros pais de Helen fossem mais dignos do que os Morgan jamais foram.
O carro disparou como um raio.
Helen fez mais uma ligação.
Três segundos depois, a chamada foi atendida, e a voz do outro lado era de respeito absoluto.
"Estou a caminho do Hospital de Verídia para salvar uma vida. Quero você lá. E não admito interferências", disse Helen, fria e objetiva.

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